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Goldman Sachs aponta impactos da crise no Irã sobre petróleo, inflação e juros nos EUA

Goldman Sachs vê juros mais altos por mais tempo e crescimento menos robusto em 2026, diante da tensão no Irã que eleva volatilidade do petróleo

Getty Images O logotipo da empresa Goldman Sachs é exibido na Bolsa de Valores de Nova York durante as negociações do mercado.
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  • O Goldman Sachs aponta que a tensão entre EUA e Irã pode elevar juros por mais tempo e frear o crescimento nos Estados Unidos em 2026, além de impactar o setor de energia.
  • O preço do petróleo deve seguir pressão: o Brent deve ficar próximo a US$ 98 até o fim de abril e recuar para US$ 71 no fim do ano; em interrupção severa de 60 dias, o barril pode chegar a US$ 145.
  • A inflação preocupa: o índice de preços PCE deve chegar a 2,9% em dezembro de 2026 e o núcleo PCE a 2,4%, mantendo o Fed mais hawkish com cortes de juros adiados para setembro e dezembro de 2026.
  • O risco de recessão nos próximos 12 meses subiu para 25%, enquanto a defesa americana mostra capacidade próxima da máxima, limitando seu papel como motor de crescimento.
  • Para o investidor brasileiro, a recomendação é ficar atento, pois juros altos nos EUA podem pressionar os mercados emergentes e exigir respostas de política econômica diante de choques energéticos.

O Goldman Sachs publicou um relatório que avalia como a escalada do conflito entre EUA e Irã pode impactar a economia americana. O estudo aponta que a resistência da economia permanece, mas o custo da incerteza virá em forma de juros mais altos por mais tempo e crescimento mais fraco em 2026.

A análise destaca o petróleo como canal principal, aliado ao aperto das Condições Financeiras (FCI) e ao Índice de Risco Geopolítico (GPR) do Federal Reserve, que chegou a quatro vezes a média histórica. Investimento (capex) e decisões de negócios sofrem com a aversão ao risco.

No cenário-base, o Brent deve ficar em média perto de US$ 98 até abril, caindo a US$ 71 ao fim de 2026. Em interrupção severa de 60 dias na região do Estreito de Ormuz, o barril pode chegar a US$ 145, alterando cadeias de suprimento globais. Em 30 de junho, Brent fechou em US$ 112,78; WTI, em US$ 102,88.

Inflação e política monetária

Se o crescimento é sustentado pela energia, a inflação representa o maior risco. O PCE (índice de inflação preferido do Fed) pode chegar a 2,9% em dezembro de 2026, com alta de 0,8 ponto percentual. O núcleo do PCE pode alcançar 2,4%.

Como consequência, o Fed adia cortes: o primeiro recuo, antes previsto para junho de 2026, ocorre apenas em setembro; o segundo em dezembro, mantendo a taxa terminal entre 3,0% e 3,25%. A projeção depende do ritmo do mercado de trabalho.

O relatório também aponta que a inflação subjacente é sensível aos custos de energia, o que dificulta a margem de manobra monetária. Se o mercado de trabalho deteriorar rapidamente, o Fed pode priorizar o emprego.

Riscos e cenário macro

O risco de recessão nos próximos 12 meses sobe de 20% para 25%, segundo o Goldman Sachs. A produção de defesa americana opera perto da capacidade, limitando o papel do setor como motor de crescimento. O comércio externo também merece atenção, com o tráfego no Mar Vermelho em queda desde 2023.

Mesmo com interrupções, o impacto sobre a inflação doméstica tende a ser contido, já que fretes representam 1% a 2% das importações. O efeito multiplicador do risco geopolítico e do choque petrolífero costuma ampliar impactos sobre contratações e investimentos.

Para investidores brasileiros, a mensagem é de vigilância: juros elevados nos EUA fortalecem a pressão sobre mercados emergentes, exigindo monitoramento de volatilidade. A resposta do Fed é o que pode definir se o choque energético se transforma em crise ou correção.

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