- OpenAI anunciou o fim do Sora, o aplicativo de geração de vídeo, e reverter planos de gerar vídeos dentro do ChatGPT.
- Também foi encerrado o acordo de financiamento com a Disney, de US$ 1 bilhão, e houve mudanças na estratégia de produtos, com foco em rentabilidade.
- A empresa deve levantar mais US$ 10 bilhões em investimentos, chegando a mais de US$ 120 bilhões no total do ciclo de financiamento.
- Sora enfrentava forte competição de Google e outros players, com queda acentuada de downloads após o começo promissor.
- A empresa diz que vai priorizar produtividade e pesquisas de simulação de mundo, especialmente para robótica, reduzindo projetos como Sora.
OpenAI anunciou nesta terça-feira a descontinuidade de Sora, aplicativo de geração de vídeo, e a reversão de planos para integração de vídeo no ChatGPT. A empresa também encerrou acordo com a Disney, reequilibrou funções executivas e pretende levantar mais 10 bilhões de dólares junto a investidores, elevando o total do seu último ciclo de financiamento acima de 120 bilhões.
A decisão ocorre em meio a críticas sobre o custo computacional de Sora e à pressão de competição acirrada no mercado de geração de vídeo por IA. Pessoas próximas ao tema disseram à imprensa que o projeto consumia grande capacidade de processamento sem retorno financeiro proporcional.
Executivos da OpenAI afirmam que é preciso priorizar produtividade e resultados no front empresarial, abrindo mão de projetos como Sora e de recursos exploratórios de modo adulto no ChatGPT. A direção busca reduzir distrações para ampliar a rentabilidade.
Trevor Harries-Jones, membro do conselho da Render Network Foundation, afirma que o espaço de IA de vídeo é muito competitivo, com atuação expressiva de Google e Kling. Segundo ele, não havia vantagem clara para Sora frente aos concorrentes.
Dados de downloads do Sora, levantados pela Sensor Tower, mostram queda de popularidade após o lançamento. Em outubro houve cerca de 4,8 milhões de downloads globais, com pico de 6,1 milhões em novembro, mas declínio nos meses seguintes.
Pesquisadores apontam que o elevado consumo de compute em Sora coincidiu com um momento de maior necessidade de recursos para outros produtos da OpenAI. Em outubro, durante o DevDay, executivos enfatizaram a necessidade de gerar mais receita.
A Disney havia anunciado investimento de 1 bilhão de dólares em OpenAI, com opção de compra de ações adicionais e uso de produtos da empresa para Disney+. A ideia incluía tornar o ChatGPT disponível para funcionários e permitir vídeos com personagens da Disney em Sora.
Fontes indicam que a Disney ficou surpresa com a decisão de encerrar o projeto de Sora pouco tempo após o acordo ser firmado, dentro de uma parceria de licenciamento de três anos. A OpenAI informou que o foco passou a ser a simulação de mundo e robótica, com uso de computação existente para esses objetivos.
A descontinuidade de Sora ocorreu um dia após a OpenAI publicar orientação sobre uso seguro da ferramenta e anunciar reforços de filtros para vídeos com crianças e adolescentes. A empresa sinalizou que continua explorando a simulação de robôs como linha de pesquisa.
Kayla Wood, porta-voz da OpenAI, afirmou que a empresa vai interromper Sora na frente de consumo, aplicativo e API, citando mudanças de estratégia. A organização destacou que a computação será redirecionada para metas de IA assistiva e simulação mundial.
A OpenAI planeja manter o foco no desenvolvimento de agentes de IA e em pesquisas de robótica, alinhando-se a metas de longo prazo da empresa. A decisão também abre espaço para que outras empresas explorem licenciamento de conteúdo com parceiros diferentes.
Especialistas e observadores apontam impactos variados: alguns veem a decisão como sinal de ajustes estratégicos diante da competição, outros destacam consequências para a confiança pública na tecnologia de geração de conteúdo. Em meio a incentivos de bilhões de dólares, investidores acompanham a performance real do setor.
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