- EUA e China debatem em Paris mecanismos formais para gerenciar comércio e investimento, com foco em agricultura, minerais críticos e comércio equilibrado, para possível inclusão na cúpula entre Trump e Xi em Pequim.
- As negociações, conduzidas pela secretária-do- Tesouro norte-americana e pelo vice-primeiro-ministro chinês, podem resultar em entregáveis para a viagem de Trump ao final de março.
- Pequim mostrou abertura à compra adicional de produtos agrícolas dos EUA, incluindo aves e carne bovina, mantendo o compromisso de comprar 25 milhões de toneladas métricas de soja por três anos.
- Os temas de minerais críticos e energia também foram discutidos, com avanços limitados e pensamento de ampliar o acesso da indústria aeroespacial dos EUA a certos materiais chineses.
- Os dois lados analisaram a viabilidade de um “Board of Trade” e um “Board of Investment” para gerir comércio, com o primeiro mais avançado e voltado a setores de crescimento sem comprometer cadeias de suprimento estratégicas.
Os principais responsáveis econômicos dos EUA e da China encerrarem, nesta segunda-feira, as conversas em Paris sobre um mecanismo de comércio gerido, com foco em agricultura, minerais críticos e comércio controlado. O objetivo é preparar entregáveis para uma possível reunião entre o presidente americano e o líder chinês em Beijing, segundo fontes familiarizadas com o tema.
As negociações, conduzidas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng, ocorreram por mais de seis horas no centro de Paris, vinculado à OCDE, uma instituição de economias avançadas que não inclui a China como membro. Ainda não há definição de acordo definitivo.
Segundo as fontes, o estágio atual é de abertura para compras adicionais de produtos agrícolas dos EUA pela China, incluindo aves, carne bovina e culturas não-soja, mas a China mantém o compromisso de adquirir 25 milhões de toneladas métricas de soja americanas nos próximos três anos, conforme o acordo de trégua de outubro de 2025.
Os representantes norte-americanos indicaram reserve de comentários oficiais sobre o progresso, enquanto a parte chinesa não abriu a imprensa após a sessão de domingo. Avalia-se que avanços significativos em cooperação econômica poderiam reacender a confiança em uma economia global fragilizada.
Contexto de objetivos e mecanismos
As equipes discutiram a formação de novos mecanismos formais para gerenciar o comércio e o investimento entre as duas maiores economias do mundo. Técnicas para um possível Conselho de Comércio e um Conselho de Investimento foram previstas para estudo técnico na segunda-feira.
Entre as propostas, o Conselho de Comércio aparece como mais desenvolvida, com ênfase em identificar setores onde o intercâmbio possa crescer de modo equilibrado, sem comprometer segurança nacional ou cadeias de suprimento críticas. O Conselho de Investimento trataria de questões pontuais de investimento entre os países.
Minerais críticos, energia e compras estratégicas
Os EUA levantaram a necessidade de assegurar o fluxo de minerais críticos produzidos pela China para empresas americanas e ressaltaram preocupações sobre o acesso a ytrio, usado em turbinas de motores de aeronaves, entre outros usos. As conversas apontaram avanços para flexibilizar temas mais desafiadores, sem detalhar medidas específicas.
Antes das reuniões, o Constant Greer, representante americano, destacou a demanda por manter o fluxo de minerais raros para a base industrial dos EUA e que a China aumente compras de aeronaves Boeing e de combustíveis fósseis dos EUA. Tais pontos podem ser revisitados nas próximas sessões.
Perspectiva de tempo e impactos
Analistas ressaltam que, apesar de haver espaço para entregáveis ao longo do ano, as condições atuais limitam grandes avanços na Paris ou na cúpula de Beijing. A agenda aponta para encontros futuros entre Bessent, He e outros dirigentes, com perspectivas de visitas e cúpulas internacionais ao longo do ano.
Especialistas apontam ainda que os líderes podem se reunir até quatro vezes neste ano, o que permitiria distribuir os resultados em etapas. A possibilidade de uma reunião adicional entre Xi e Trump depende da evolução das negociações e das questões estratégicas em pauta.
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