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Imposto de 9,9% sobre milionários em Washington provoca temor de fuga de fortunas

Imposto de 9,9% sobre rendas acima de US$ 1 milhão em Washington gera temor de fuga de fortunas e impacto na arrecadação, com vigência a partir de 2028

Fundador da Starbucks, Howard Schultz
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  • Câmara dos Representantes do estado aprovou o Projeto de Lei do Senado 6346, com 51 votos a 46, para impor 9,9% sobre a renda acima de US$ 1 milhão, com início em 2028 e primeiros pagamentos em 2029.
  • A arrecadação seria destinada a educação básica, educação infantil, moradia, saúde e segurança pública, além de créditos fiscais para famílias trabalhadoras, pequenas empresas e cuidado infantil.
  • Se o Senado concordar com a versão aprovada e o governador sancionar, Washington deixará de ser um estado sem imposto de renda e passará a depender mais da renda de alta renda para financiar serviços públicos.
  • Após a aprovação, Howard Schultz, fundador da Starbucks, disse que se mudará para a Flórida, em meio a movimentos da Starbucks que transferirá parte de operações para o Tennessee, alimentando o temor de fuga de fortunas.
  • Especialistas alertam que a receita pode ser impactada se contribuintes de alta renda deixarem o estado; estima-se que apenas 0,5% dos contribuintes seriam afetados, mas efeitos indiretos são possíveis.

Após aprovação na Câmara, o Projeto de Lei do Senado 6346 avança em Washington. A proposta cria um imposto de 9,9% sobre a renda que exceder US$ 1 milhão por ano. A arrecadação seria destinada a educação, moradia, saúde e segurança pública. A medida depende do Senado e da sanção do governador.

A proposta atinge apenas quem ganha mais de US$ 1 milhão, segundo estimativas. O modelo prevê recolhimento com base na renda bruta ajustada federal, com ajustes estaduais. Em um exemplo, quem tem exatamente US$ 1 milhão não paga. O excedente é tributado.

A aprovação veio após 24 horas de debate na Assembleia Estadual. O governador Bob Ferguson celebrou o avanço e destacou ampliar créditos para famílias trabalhadoras, além de financiar o café da manhã escolar para estudantes da rede pública.

Howard Schultz, fundador da Starbucks, anunciou que pretende deixar Washington e se mudar para a Flórida. A decisão ocorre dias após a Starbucks confirmar mudança de parte de operações para o Tennessee, o que aumenta o peso político da medida.

O efeito imediato do movimento de Schultz já repercute: empresários de alto valor pensam em realocar. Economistas avaliam o risco de fuga de capitais e de queda na arrecadação mesmo com a alta incidente sobre poucos contribuintes.

Washington nunca cobrou imposto de renda pessoal entre os estados vizinhos, mantendo atrativo para talentos. A mudança representa um desvio do modelo fiscal tradicional, que depende mais de impostos sobre vendas e atividades empresariais.

Críticos do imposto apontam que favorecer grandes fortunas pode reduzir receitas se muitos se mudarem. Defensores argumentam que a medida reforça recursos para serviços públicos, beneficiando trabalhadores de baixa renda.

Outros estados também estudam tributos sobre riqueza: Califórnia e Massachusetts já adotaram ou discutem cobranças adicionais para rendimentos elevados. O debate sobe o impacto econômico permanece em pauta.

A novidade em Washington é a combinação de alta tributação sobre milionários com ampliação de créditos para famílias e pequenas empresas, num esforço de reequilíbrio fiscal. A sanção final ainda depende do governo e do Senado.

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