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Guerra com o Irã pode pressionar a economia dos EUA e atrasar cortes de juros

Conflito no Golfo eleva o petróleo acima de US$ 100, pressiona inflação e reduz o crescimento, adiando cortes de juros do Federal Reserve

O epicentro da turbulência está na precificação global da energia
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  • Ataques entre EUA/Israel contra o Irã em 28 de fevereiro levaram a retaliações e interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, fazendo o petróleo superar US$ 100 o barril.
  • Goldman Sachs revisou inflação para cima e crescimento do PIB para baixo, elevando a probabilidade de recessão nos EUA para 25%.
  • O Federal Reserve deve manter juros altos por mais tempo; cortes de juro podem começar apenas em setembro, com segundo alívio em dezembro, levando a uma meta de juros de 3,0% a 3,25%.
  • Cenários de estagflação podem ocorrer: inflação PCE cheia chegando a 2,9% e núcleo em 2,4%, com desemprego atingindo pico próximo de 4,6%.
  • O petróleo mais caro pressiona o PIB e a inflação, apesar de proteções setoriais; déficit federal projetado em US$ 2,05 trilhões e yield de 10 anos em 4,20% ao fim de 2026.

No dia 28 de fevereiro, EUA e Israel realizaram ataques contra o Irã. O Irã respondeu com mísseis contra Israel, atingindo bases americanas e aliados no Oriente Médio. A troca elevou a tensão geopolítica na região e afetou o transporte de petróleo.

A escalada interrompeu parte do tráfego no Estreito de Ormuz, uma rota-chave de suprimento energético. Com isso, o petróleo Brent passou a superar US$ 100 por barril, irradiando impactos para mercados globais.

Segundo estudo do Goldman Sachs, a alta de preços impulsionou revisões de inflação e reduziu estimativas de crescimento dos EUA. A probabilidade de recessão acelerou para 25%, segundo a análise.

O que está acontecendo?

O relatório aponta que a pressão inflacionária deve manter os juros elevados por mais tempo. O Fed possivelmente atrasaria o início do ciclo de cortes de junho para setembro, mantendo alta a taxa de juros por mais tempo.

A instituição projeta uma estagflação moderada nos próximos meses: crescimento abaixo do desejado, inflação elevada e desemprego em alta. A taxa de desemprego pode chegar a 4,6%, acima dos 4,44% do mês anterior.

O PIB do quarto trimestre de 2026 deve ficar em 2,2% (2,6% anual), com recuo de 0,3 ponto percentual. O cenário reflete menor atividade econômica, petróleo mais caro, condições financeiras restritas e incerteza geopolítica.

A demanda por defesa deve aumentar, mas a produção não deve crescer muito, já que fornecedores enfrentam limitações na fabricação de armamentos.

Riscos e cenários

Em cenários de maior instabilidade, o crescimento pode ficar em 2,1% ou 1,9% no quarto trimestre. A inflação PCE cheia para dezembro de 2026 pode chegar a 2,9%, com núcleo em 2,4%.

Para o petróleo, o Goldman Sachs estima média de US$ 98 em março e abril, caso o Ormuz permaneça aberto. Se houver interrupção de um mês, a média pode subir para US$ 110; se durar 60 dias, pode alcançar US$ 145, com recuo até o fim do ano.

Perspectivas fiscais e de juros

O estudo também aponta déficit federal em US$ 2,05 trilhões neste ano. O impacto se refletiria em títulos de longo prazo, com o rendimento da nota de 10 anos próximo de 4,20% ao fim de 2026.

Quanto aos juros, o primeiro corte esperado para setembro pode ocorrer apenas se o mercado de trabalho piorar de forma acentuada. Um segundo alívio ainda em 2026 manteria a taxa terminal entre 3% e 3,25%.

Conclusão

O cenário indica que a combinação de choque geopolítico, preços elevados da energia e inflação persistente pode atrasar o ciclo de afrouxamento monetário nos EUA e pressionar a trajetória econômica no curto prazo, sem prever desfechos simples para o mercado de trabalho ou o crescimento.

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