- Suspeita de fraude bilionária envolvendo fundos ligados ao Master com simulação de créditos de carbono é tratada como grave pelo governo, que acompanha o caso de perto.
- A secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, disse que o objetivo é manter a confiança dos investidores e evitar que o episódio atrapalhe o desenvolvimento do mercado.
- O governo trabalha na criação de um mercado regulado de carbono, com normas, metas, definição de setores e um órgão gestor permanente.
- O Incra informou ter veto a projeto irregular de crédito de carbono envolvendo o Master, após identificar ilegalidade; o jornal apontou valorização de R$ 45,5 bilhões em créditos de carbono ligados a terras públicas.
- O Banco Central liquidou o Master em novembro por graves violações às normas do sistema financeiro; o dono, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal. Um grupo de trabalho definirá medidas para evitar fraudes futuras.
A suspeita de fraude bilionária envolvendo fundos ligados ao Banco Master, com simulações em créditos de carbono, levou o governo a intensificar ações de regulação do mercado de carbono. A afirmação foi feita pela secretária extraordinária do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda, Cristina Reis, nesta sexta-feira.
Segundo Reis, o governo acompanha o caso com atenção para evitar que o episódio fomente insegurança entre investidores. Ela destacou que o mercado de carbono está em transição de voluntário para regulado, com normas, metas e regras definidas pelo poder público.
O Ministério da Fazenda sinalizou que trabalha na criação de um regime com governança robusta, metodologias claras, órgão gestor permanente e sistemas de registro de créditos. A pasta também estuda critérios para compensação de emissões e mecanismos de supervisão mais rígidos.
A reportagem da Folha de S. Paulo indicou que créditos de carbono originados de áreas da União na Amazônia teriam valorizado os fundos ligados ao Master, o que gerou questionamentos sobre a legalidade das operações. O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, negou participação na gestão técnica das operações citadas.
O Incra informou, em nota, ter vetado projeto irregular de extração de crédito de carbono envolvendo o Master no Amazonas, diante de irregularidades identificadas. A secretária reiterou que há suspeitas graves no caso e que ações regulatórias são essenciais para não contaminarem o mercado.
Cristina Reis afirmou que a fraude envolveu dados e metodologias irreais sobre o estoque de carbono, simulando créditos sem cumprir padrões de geração. Ela reforçou que créditos de carbono reais exigem programas específicos, padrões e etapas de verificação.
Um grupo de trabalho será criado para tratar da geração de créditos de carbono em áreas da União e também para discutir fraudes associadas. A finalidade é ampliar a prevenção e a detecção de irregularidades no setor.
O governo já definiu participantes de um Comitê Técnico Consultivo Permanente do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, que discutirá a implementação do mercado regulado. Entre as entidades estão IBP, CNI, CNA e Unica.
Estimativas oficiais em parceria com o Banco Mundial apontam que a adoção de regras para o mercado pode impulsionar o PIB em até 5,8% até 2040 e reduzir emissões em 20% nos setores regulados. O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro por violações graves e questões de liquidez.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, a pedido do Supremo Tribunal Federal, em operação que o apontou como líder de organização criminosa. A Justiça também apontou irregularidades na gestão de recursos do banco antes de sua liquidação.
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