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Sistema incentiva surgimento de novos Vorcaros, afirma especialista

Operação Compliance Zero prende Vorcaro pela segunda vez; investigação envolve servidores do Banco Central e impacto de 51 bilhões no FGC

Sede do Banco Master na Faria Lima, em SP — Foto: Reuters/Amanda Perobelli
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  • O banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela segunda vez, na terceira fase da Operação Compliance Zero, ligada a supostas fraudes no Banco Master.
  • Foram presas meio a uma suposta organização que monitorava e ameaçava adversários de Vorcaro, incluindo mais três investigados.
  • A ação também atingiu dois servidores do Banco Central suspeitos de atuar a favor de Vorcaro.
  • Desde novembro de dois mil e vinte e cinco, o Banco Central já liquidou o Master, Will Bank e Pleno, além da gestora de fundos Reag, todos ligados a Vorcaro.
  • O rombo estimado para o Fundo Garantidor de Crédito é de cerca de R$ cinquenta e um bilhões; o FGC assegura ressarcimento de até R$ duzentos e cinquenta mil por CPF ou CNPJ, para investidores.

Na quarta-feira, a terceira fase da Operação Compliance Zero resultou na prisão de Daniel Vorcaro, banqueiro alvo de investigações sobre fraudes no sistema financeiro via Banco Master. Além dele, outras três pessoas foram presas, por suposta participação em uma organização de monitoramento e intimidação de adversários do empresário. Dois servidores do Banco Central também foram alvo de suspeitas de atuação a favor de Vorcaro.

A crise se intensifica desde novembro de 2025, período em que o Banco Central liquidou o Master, o Will Bank e o Pleno, além da gestora de fundos Reag, todos ligados ao empresário ou a suas operações. A liquidação dessas instituições gerou o maior desembolso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desde a criação do fundo, em 1995.

O impacto financeiro pode chegar a um rombo de cerca de R$ 51 bilhões no FGC, o que implica proteção de até R$ 250 mil por CPF/CNPJ para clientes de CDBs e outros ativos. Pequenos investidores devem receber integralmente seus recursos, reduzindo impactos entre a população de menor escala.

Pontos da análise sobre o FGC

Especialistas afirmam que o FGC cumpre função de estabilização, ao incentivar competição e proteger investidores. Contudo, o desenho atual pode criar incentivos para ops pública com maior risco, favorecendo instituições com maior captação via altas taxas. Isso pode levar a investimentos mais arriscados sob a cobertura do seguro.

Segundo o economista Michael Viriato, o modelo atual do FGC contribui para que banqueiros com perfil mais agressivo captem recursos oferecendo retornos elevados. Ele aponta que isso aumenta o risco sistêmico caso perdas ocorram.

Perspectivas regulatórias e institucionais

Viriato defende mudanças no funcionamento do FGC, incluindo possível redução da cobertura ou elevação do custo do seguro pago pelos bancos que captam recursos. O objetivo é reduzir incentivos a riscos excessivos sem abandonar a proteção aos pequenos investidores.

Ainda de acordo com o especialista, a atuação de funcionários do BC em casos vinculados a Vorcaro não derruba a confiança na instituição, desde que a gestão interna siga normas. A avaliação é de que o BC manteve postura adequada, mesmo diante de investigações sobre colaboradores.

Caminhos futuros

O debate envolve repensar a capitalização do FGC e a responsabilização dos agentes financeiros, bem como o equilíbrio entre competição e prudência. Grandes bancos pressionam por mudanças para evitar novos impactos financeiros amplos no sistema.

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