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Retorno ao escritório impulsiona locações, mas investidores seguem cautelosos

Retorno aos escritórios eleva absorção em São Paulo (289 mil m² em 2025), mas investidores permanecem cautelosos, com 18% de alocação vs 40% para logística

o movimento de retomada dos espaços ainda não foi suficiente para retomar o apetite do investidor pelo real estate corporativo.
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  • Em 2025, São Paulo registrou absorção líquida de 289.000 metros quadrados de escritórios, segundo a CBRE, o segundo melhor resultado dos últimos cinco anos.
  • O segmento corporativo terá apenas 18% do interesse de alocação de investidores na América Latina neste ano, enquanto o setor de logística fica em 40%.
  • A locação da Nubank em Capote 210, em Pinheiros, impulsionou a região, que teve a maior redução de vacância da cidade no ano, com queda de 14,4 pontos percentuais.
  • O preço médio do aluguel em São Paulo ficou em 115,2 reais por metro quadrado ao mês em 2025; o eixo financeiro segue com vacância baixa (9,2%) e preços elevados, acima de 200 reais/m² em áreas como Faria Lima.
  • Mesmo com sinalização positiva, investidores seguem cautelosos com IA, acreditando que a demanda por espaços corporativos pode demorar a retornar, apesar de ajustes de layout e modelos híbridos ganharem espaço.

O retorno aos escritórios impulsiona a locação, mesmo com investidores mantendo cautela. Em 2025, São Paulo registrou a segunda melhor absorção líquida dos últimos cinco anos, com 289 mil m² locados, segundo a CBRE. O desempenho reflete a retomada gradual do equilíbrio entre demanda e espaço disponível.

O movimento teve impulso de empresas que cresceram durante a pandemia e passaram a buscar menos home office. Edson Ferrari, vice-presidente da CBRE Brasil, afirma que o recuo de demanda ganhou força nos últimos dois anos, com as companhias voltando a locar espaços.

A Nubank exemplifica a mudança, ao ocupar 14.957 m² no Capote 210, em Pinheiros, próximo à sede. A região registrou queda de vacância de 14,4 p.p. no ano, segundo a Binswanger. Apesar disso, o apetite de investidores pelo mercado imobiliário corporativo ainda está contido.

Desempenho de investimento e lacunas de demanda

A pesquisa Investor Sentiment Survey da CBRE mostra que o interesse de alocação no setor corporativo é de apenas 18% na América Latina neste ano, enquanto logística acumula 40%. O levantamento foi adiantado com exclusividade pela Bloomberg Línea.

Ferrari comenta que a volta ao escritório é consolidada e tende a ganhar tração, com ajustes de preços em mercados mais fortes. No entanto, fundos imobiliários exibem excesso de estímulo no setor antes da pandemia, o que pode retardar a retomada de investimentos.

Relatórios de Cushman & Wakefield e Newmark indicam menor adição de estoque em 2025 e valorização sobre o preço médio. São Paulo manteve o preço de referência mais alto da região, em torno de US$ 26,3 por m² ao mês, com alta de 20% no ano.

Cenário de preços e ocupação

Os eixos premium, como Brigadeiro Faria Lima e Juscelino Kubitschek, concentram demanda. A vacância no eixo financeiro ficou em 9,2% no ano, e os contratos médios superaram R$ 200/m² mensais. Em Faria Lima, a locação pode chegar a R$ 420/m² por mês.

O relatório aponta que o mercado paulista continua entre os mais caros da América Latina, com ajustes de preço mais acentuados em áreas com fundamentos mais fortes. A tendência é de estabilização gradual onde a oferta ainda é alta e de valorização onde o equilíbrio persiste.

IA e futuro do espaço corporativo

O impacto da IA causa apreensão entre investidores. A CBRE destacou que a queda de ações após divulgar resultados ainda não indica redução drástica na demanda por espaço. O comitê executivo aponta que o core business não sofre disrupção inadiável.

Executivos da CBRE apontam que, até o momento, não há clientes que cortaram drasticamente área ocupada por IA. O padrão observado mostra ajustes de layout, com reposicionamento de equipes, mantendo planos de expansão em outras frentes.

A Cushman & Wakefield projeta que setores com funções repetitivas, como back-office, possam sofrer maior pressão. Modelos híbridos tendem a reduzir áreas centrais, mantendo flexibilidade para ciclos de crescimento sem compromissos de longo prazo.

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