- A Nissan disse que poderia fechar a fábrica de Sunderland caso o Reino Unido não fique totalmente incluído nas novas regras “Made in Europe” propostas pela UE.
- A planta de Sunderland é a maior do Reino Unido, com cerca de seis mil funcionários e capacidade teórica de seiscentas mil carros por ano, operando abaixo da capacidade.
- A UE quer um Ato de Aceleração Industrial que restringe subsídios públicos a veículos elétricos feitos apenas em plantas europeias, para evitar competição barata da China.
- O setor automotivo britânico afirma que as propostas podem prejudicar quase £ setenta bilhões em comércio entre a UE e o Reino Unido e discriminariam veículos e componentes britânicos.
- O presidente da associação alemã do setor diz que as medidas podem aumentar custos e provocar retaliações; o Reino Unido pede status de parceiro confiável para o setor automotivo britânico.
A Nissan pode fechar a fábrica de Sunderland caso o Reino Unido fique de fora das novas regras de “Made in Europe” propostas pela União Europeia. A avaliação foi feita em meio a críticas de que o pacote industrial aceleraria subsídios apenas para veículos elétricos fabricados dentro da UE. A notícia foi veiculada após a divulgação oficial da Comissão Europeia sobre o tema.
O setor automotivo britânico expressou preocupação com o impacto do Industrial Accelerator Act (IAA), anunciado pelo comissário Stéphane Séjourné. O texto visa proteger o bloco de concorrência barata, especialmente em relação à China, ao limitar incentivos públicos a veículos fabricados na Europa. A indústria teme desvantagem competitiva para fabricantes britânicos.
Segundo relatos, a Nissan informou privadamente ao governo do Reino Unido que poderia fechar a planta de Sunderland se as propostas virassem lei. Um executivo citou ao Financial Times o risco existencial caso a empresa fosse excluída dos incentivos da UE. Sunderland é a maior fábrica de automóveis do país, com cerca de 6 mil funcionários e capacidade para até 600 mil veículos por ano.
A fábrica opera abaixo da plena capacidade por demanda mais fraca, mas continua sendo peça-chave da indústria britânica. A região abastece, em parte, o mercado europeu, o que intensifica o impacto caso haja descontinuidade de incentivos para veículos elétricos feitos fora da UE.
O presidente da SMMT, Mike Hawes, afirmou que a proposta “Made in Europe” pode discriminá-la, afetando uma relação comercial que movimenta quase £70 bilhões por ano. O setor pede que parceiros confiáveis no Reino Unido sejam reconhecidos no novo regime.
Representantes alemães também sinalizaram cautela. A associação automotiva alemã VDA afirmou que as medidas protetivas poderiam elevar custos e gerar retaliações comerciais, com efeito limitado sobre a competitividade europeia no curto prazo.
O governo britânico disse que mantém relações próximas com a UE e que quer trabalhar em conjunto para fortalecer crescimento e segurança econômica. A Comissão Europeia reiterou que países com acordo comercial com o bloco podem ser considerados parceiros, mantendo instrumentos de elegibilidade em vigor.
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