- A indústria brasileira de alimentos fechou 2025 com faturamento de R$ 1,388 trilhão, alta de 8,02% frente a 2024, e representou 10,9% do PIB.
- As exportações de alimentos industrializados totalizaram US$ 66,7 bilhões, recorde, equivalentes a 19,1% de tudo o que o Brasil exporting.
- A produção total de alimentos industrializados e bebidas não alcoólicas chegou a 288 milhões de toneladas; o mercado interno ficou acima de R$ 1 trilhão e o externo em R$ 373 bilhões.
- O setor criou 51 mil empregos em 2025, somando 2,125 milhões de vagas diretas formais, com massa salarial aumentando 9,94%.
- Os investimentos somaram R$ 41,3 bilhões, sendo 65% destinados a inovação, novas linhas, plantas e P&D; o compromisso com o governo de investir R$ 120 bilhões entre 2023 e 2026 chegou a R$ 116 bilhões nos três primeiros anos.
A indústria brasileira de alimentos encerrou 2025 com faturamento de R$ 1,388 trilhão, alta de 8,02% ante 2024. O setor representou 10,9% do PIB, o maior índice já registrado, conforme dados apresentados por João Dornellas, presidente-executivo da ABIA, em coletiva realizada nesta quinta-feira (5). No exterior, as exportações de alimentos industrializados totalizaram US$ 66,7 bilhões, recorde histórico e equivalente a 19,1% do total enviado pelo Brasil ao mundo.
A produção de alimentos industrializados e bebidas não alcoólicas somou 288 milhões de toneladas no ano. O mercado interno ficou acima de R$ 1 trilhão pela primeira vez; o externo alcançou R$ 373 bilhões. As vendas no varejo alimentar cresceram 8,4%, e o food service avançou 10,1%. As vendas reais subiram 2,2% e a produção física teve alta de 1,91%.
Desempenho econômico e emprego
A inflação dos alimentos industrializados ficou em 1,8%, bem abaixo do IPCA de 4,26%, ampliando o poder de compra das famílias. Segundo Dornellas, a menor inflação de alimentos facilita o consumo. Os investimentos somaram R$ 41,3 bilhões, com 65% destinados à inovação, novas linhas, plantas e P&D, além de R$ 14 bilhões em fusões e aquisições. O compromisso público de investir R$ 120 bilhões entre 2023 e 2026 chegou a R$ 116 bilhões nos três primeiros anos.
No emprego, o setor criou 51 mil vagas em 2025, totalizando 2,125 milhões de empregos diretos formais, o que representa 45% das vagas da indústria de transformação. Considerando toda a cadeia, o emprego chega a 10,6 milhões de trabalhadores, 10,3% da força de trabalho. A massa salarial do setor avançou 9,94%, acima da inflação.
O custo industrial subiu 5,1% no período, pressionado por diesel, gás natural, energia elétrica industrial e embalagens. Mesmo assim, o setor abriu 850 novas fábricas em 2025, chegando a 42 mil empresas, sendo 93% micro, pequenas ou médias.
Mercado interno e regionalização
A produção para o mercado interno atingiu 211 milhões de toneladas, com 73% da produção consumidos no Brasil. O desempenho regional acompanha a população e a vocação econômica: Sudeste lidera, seguido por Sul, Centro-Oeste, Nordeste e Norte. De norte a sul, as cifras são expressivas, segundo Dornellas.
Regiões como Norte e Nordeste apresentam importância significativa, com polos em estados como Bahia, Ceará e Pernambuco. O Centro-Oeste concentra proteínas animais, soja e milho, e o Sul destaca-se pela participação no PIB regional e geração de empregos. Entre os estados, São Paulo, Paraná e Minas Gerais são os maiores empregadores diretos, respondendo por grande parte da produção e emprego estadual.
Exportações e cenário externo
O Brasil manteve a posição de maior exportador de alimentos industrializados, com US$ 66,7 bilhões em 2025, queda de 73% em relação a 2020, trazendo um superávit de US$ 57,5 bilhões, equivalente a 84% do superávit comercial do país. A Ásia é o principal destino, com China no topo, seguida por Estados Unidos, Países Baixos, Indonésia e Japão. Dornellas ressalta que o Brasil exporta para 190 países, não apenas para a China.
Na América Latina, o Mercosul apresentou crescimento de exportações para Argentina acima de 70%, com avanços para Paraguai, Uruguai e Chile. Ainda assim, conflitos no Oriente Médio geram volatilidade de preços de combustíveis e logística, embora não tenha havido impacto perceptível nas exportações até o momento. Tarifa US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão foi estimativa de perda devido a tarifas dos EUA.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a ABIA projeta crescimento de 2% a 2,5% nas vendas e aumento de 1% a 1,5% na geração de empregos diretos. A hipótese de exportações chegar a US$ 70 bilhões é citada como possível. O acordo entre Mercosul e União Europeia é visto com otimismo, buscando desgravamento tarifário para ampliar o acesso do setor ao bloco europeu.
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