- O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, diz que a calibração da Selic neste mês não é afrouxamento e deve levar o ciclo a terminar em ponto restritivo.
- A indicação de corte anunciada em janeiro permanece válida apenas para a reunião de março do Copom.
- Com a eleição no radar, o mercado espera maior volatilidade e revisa apostas sobre o tamanho do corte, de 50 pontos-base para cerca de 25 pontos-base.
- O BC ressalta que a calibração não depende de ruídos e que a serenidade na análise dos dados é essencial, especialmente diante de tensões internacionais.
- O dirigente aponta que o crescimento econômico está dentro do potencial e que as expectativas de inflação evoluem, ainda que desancoradas, com o horizonte de política monetária de dezoito meses.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que a calibração prevista para a Selic neste mês não configura afrouxamento da política monetária. Ele ressaltou que o BC não busca uma taxa de juros real neutra e que o ciclo de cortes terminará em ponto ainda restritivo. O comentário ocorreu em evento do Goldman Sachs, em São Paulo, nesta quinta-feira (05).
Segundo David, a orientação anunciada pelo BC em janeiro permanece válida apenas para a reunião de março do Copom. A calibração, segundo ele, é um ajuste técnico, não uma mudança de curso, e o objetivo é chegar a um grau de restrição que o BC considera adequado.
O diretor destacou que deve haver maior volatilidade no mercado ao longo deste ano por conta das eleições presidenciais, o que reduz a efetividade da política monetária. A camada adicional de juros aplicada até aqui, conforme ele, será útil nesse cenário.
David afirmou que o Copom não pode antecipar decisões e que o Irã pode influenciar o ambiente externo, mas será analisado com serenidade. Ele mostrou cautela diante da incerteza, sem reagir a ruídos de curto prazo.
O executivo acrescentou que, mesmo com volatilidade externa, o BC não está imerso em emoções ao tratar os dados e mantém o horizonte de política monetária em cerca de 18 meses. O crescimento econômico aparece dentro do potencial, com melhora moderada das expectativas de inflação.
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