- Em 1º de março, o presidente Javier Milei abriu o Congresso criticando a oposição, enquanto a economia enfrenta inflação acima de 30% ao ano e risco de estagflação.
- A indústria argentina acumula queda média de 7,9% em relação a 2023, segundo a Audemus, situando-se entre as maiores retrações do mundo; foram fechadas cerca de 2.436 fábricas e o país perdeu aproximadamente 73 mil empregos industriais.
- Milei aprovou reforma trabalhista e redução da maioridade penal; o governo também cortou programas de obras públicas, impactando construção civil, saneamento e água potável.
- Setores menos afetados geram menos empregos, como agricultura, intermediação financeira e mineração; a construção civil teve queda de 16% em 2024 e 2025, com o fechamento de obras e empresas relevantes. A fábrica FATE, de longos 80 anos, fechou, resultando em 920 demissões.
- Economistas divergem, mas há consenso de desaceleração com inflação em alta, sugerindo que a economia caminha para a estagflação; alguns apontam contribuição de setores agrícolas e financeiros, além de desaceleração na indústria, construção e comércio.
O presidente argentino Javier Milei assumeu o governo em 10 de dezembro de 2023 e, desde então, tem mostrado apoio a reformas trabalhistas e a políticas de redução da maioridade penal. Em 1º de março, Milei participou da abertura das sessões do Congresso, dedicando parte de seu discurso a críticas à oposição peronista e à condução econômica anterior. O debate ganhou destaque pela retórica do presidente, sem alterar de imediato os dados da inflação.
A economia argentina segue sob pressão. A inflação anual permanece acima de 30%, e fábricas vêm fechando portas por importações e queda da demanda doméstica. O cenário é descrito por analistas como estagflação, combinação de estagnação econômica com alta de preços, que não encontra respaldo em pares regionais.
Economistas destacam que a taxa de inflação, ainda de duplo dígito, não atinge o patamar citado por Milei. Dados oficiais apontam variação acima de dois dígitos e mantêm o país com uma das maiores inflações da região, mesmo em comparação a Chile, Brasil, Paraguai e Peru.
Estocada à indústria
A consultoria Audemus informou que a indústria argentina registrou queda média de 7,9% ante 2023, segundo dados da Onudi. O recuo é o segundo maior do mundo, atrás apenas da Hungria. Em contrapartida, Brasil e Chile mostraram crescimento industrial de 3,5% e 5,2%.
O setor industrial argentino fechou 2.436 fábricas, momento que se aproxima dos números do primeiro ano da pandemia. Em dois anos sob o governo de Milei, o emprego industrial recuou 16%, com perda de 72.955 postos formais. O equilíbrio setorial piorou com a redução de programas de obras públicas.
A crise também se refletiu no fechamento de grandes fábricas. A Fate, com 80 anos de atividade, encerrou operações, resultando em 920 demissões. Analistas apontam que a queda de construção civil e de saneamento reduziu a demanda por empregos no setor.
Demissões e debates
O cômodo político da equipe econômica, incluindo o líder de reformas, gerou críticas públicas de economistas conservadores, que afirmam que o problema não depende apenas da reforma trabalhista. Diversas vozes indicam que a demanda e o crédito devem acompanhar o investimento para sustentar o crescimento.
Economistas lembram que, embora setores como agricultura e intermediação financeira ainda sustentem parte da atividade, sinais de desaceleração aparecem com clareza. A construção registra queda de 16% em 2024 e 2025, conforme avaliações de especialistas.
Entre empresas, há relatos de desligamentos em cadeia. No início de março, companhias de diferentes segmentos desligaram centenas de trabalhadores, com impactos visíveis em centros urbanos. Relatos de fechamento de lojas são frequentes em cidades como Córdoba.
Perspectivas
Alguns analistas destacam que o peso da estagnação pode recair sobre o consumo, com redução do poder de compra. A inflação continua alta e há sinalizações de desaceleração do crescimento, principalmente nos setores fabril, de construção e comércio. A discussão sobre políticas públicas permanece em debate entre economistas e líderes políticos.
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