- A patente da semaglutida expira em março de 2026 na China, Índia, Turquia, Canadá e Brasil, o que abre espaço para genéricos e biossimilares.
- O setor enfrenta o “Abismo de Patentes 2.0”, com perdas globais estimadas em até US$ 90 bilhões e reorganização de cadeias produtivas.
- Lupin (Índia) fechou acordo com Gan & Lee (China) para lançar bofanglutida na Índia; no Brasil, parceria entre Lupin/MedQuímica e Biocon/Biomm avança para biossimilares.
- O mercado mundial de emagrecedores deve chegar a cerca de US$ 95 bilhões em 2030, com aproximadamente 24% desse total em versões orais.
- A venda direta ao paciente ganha força, com planos de preços transparentes, telemedicina e entrega em domicílio; a Novo Nordisk mira liderança nesse canal com Wegovy.
Os patentes de GLP-1 ligadas à semaglutida começam a vencer em 2026 em mercados-chave, como China, Índia, Canadá, Brasil e Turquia. O fim da exclusividade pode abrir espaço para genéricos e biossimilares, alterando o equilíbrio de poder no setor.
Especialistas apontam que o emagrecedor baseado em incretinas ganhou espaço expressivo globalmente, com vendas previstas próximas de US$ 150 bilhões em 2024. Agora, o mercado se reorganiza diante da iminente expiração de patentes.
A rivalidade entre laboratórios intensifica-se conforme produtores buscam novas parcerias, versões orais e modelos de venda direta ao consumidor. A expectativa é de que patentes vencidas promovam mudanças rápidas na oferta e nos preços.
Novas parcerias no radar
No fim de 2025, a Lupin, da Índia, fechou acordo com Gan & Lee, da China, para vender bofanglutida na Índia. O fármaco é um análogo de GLP-1 com resultados de perda de peso semelhantes aos da semaglutida, em regime de dose quinzenal.
A Lupin é líder entre genéricos nos EUA e atua globalmente. A parceria inclui distribuição por meio de redes locais e a atuação da MedQuímica no Brasil, fortalecendo a presença do grupo no mercado latino-americano.
Simultaneamente, Gan & Lee negocia projetos com o governo brasileiro para parcerias de desenvolvimento produtivo, abrindo caminho para futuras colaborações em terapias inovadoras contra obesidade.
Perspectivas de mercado e formato das terapias
A disputa envolve ainda a transição para formas orais. A Wegovy em comprimido chega em 2026, com desvantagens em relação à prática de ainda exigir jejum periódico. A Eli Lilly trabalha com o orforglipron, potencial candidato oral, cuja aprovação é aguardada para 2026.
Estimativas de custo-eficiência variam conforme modelos de pagamento. A divisão entre versões orais e injetáveis pode influenciar participação de mercado, especialmente com o crescimento de venda direta ao paciente.
Analistas projetam que cerca de um quarto do mercado de obesidade possa migrar para comprimidos até 2030, com a Lilly dominando parcela relevante desse segmento oral, seguido por produtos da Novo Nordisk.
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