- Os EUA avançam na estratégia de desvincular Congo de China, mas conflitos, licenças contestadas e exigências de conformidade atrasam acordos.
- Após o pacto entre EUA e Congo, Kinshasa entregou uma lista de 44 projetos envolvendo cobre, cobalt, lítio, estanho, ouro e hidrocarbonetos.
- Parte desses ativos está em zonas politicamente turbulentas ou com disputas de licenciamento, dificultando negócios rápidos.
- Ações seguem lentas por disputas de propriedade e direitos, incluindo casos como Chemaf e Gecamines, além de tensão em torno do M23.
- Regra de conduta ocidental, com due diligence e governança, desacelera investimentos frente ao ritmo já estabelecido por empresas chinesas como Zijin, que investem em infraestrutura na região.
DAKAR/KINSHASA — O governo dos EUA avança na retirada de minerais estratégicos da zona de influência chinesa no Congo, após pacto firmado entre as partes. No entanto, conflitos, licenças contestadas e exigências de conformidade atrasam acordos e ampliam a distância entre intenção e velocidade de implementação.
Fontes diplomáticas e do setor destacam que o Congo continua central na estratégia dos EUA para reduzir a dependência de Pequim no ouvido de minerais raros, como cobalto, cobre e lítio. A Kinshasa entregou, no mês passado, uma lista de 44 projetos para avaliação pela coalizão EUA-kinshasa.
A parceria visa atrair investimentos e sustentar o acordo de paz mediado pelos EUA entre Congo e Ruanda, com o governo congolês acusando o grupo M23 de apoiar rebeldes. A prática, porém, depende de avanços políticos e de segurança na região leste.
Permitting gridlock
Analistas apontam que a continuidade de disputas de direitos e a falta de transparência atrasam novas iniciativas. Manono, importante reserva de lítio, envolve disputas entre KoBold e AVZ, enquanto a China, por meio da Zijin, prepara operações na mesma área.
Conflitos políticos e dúvidas sobre títulos de propriedade dificultam venda de ativos a investidores ocidentais. A Chemaf, ligada à Gecamines, teve venda ao consórcio Virtus adiada, em parte por dívidas da empresa.
Western procedure vs Chinese pace
Officials congoleses afirmam que desejam maior atuação de parceiros norte-americanos, mas não abrem mão de controles de compliance, como auditorias anti-corrupção e rastreabilidade de cadeias produtivas. Enquanto operadores chineses avançam, firmas ocidentais enfrentam verificações mais rigorosas.
Em Manono, a Zijin avança com infraestrutura de base, enquanto KoBold tenta resolver disputas de propriedade. O tempo de aprovação de Western-backed projetos tende a ser mais lento, gerando assimetrias de ritmo entre as equipes.
Perspectivas e leitura de cenário
Especialistas destacam que a pressão dos EUA pode sinalizar ganhos de segurança, mas o efeito sobre o envio de capital depende de governança e garantias de segurança que Washington possa oferecer. Ainda não há indicação de mudança de postura nos próximos meses.
Segundo analistas, a presença chinesa já controla parte relevante do cobre-cobalto congolês, o que dificulta mudanças rápidas no cenário. O governo congolês permanece reservado quanto a comentários sobre negociações em andamento.
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