- Brent crude subiu até US$ 82 por barril, alta de treze por cento no início do pregão, atingindo um recorde em catorze meses.
- O estreito de Hormuz, importante rota de cerca de quinze milhões de barris por dia, ficou sob forte pressão com receios de interrupção no abastecimento mundial.
- Os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã acenderam temores de que o conflito possa durar mais semanas.
- A Maersk informou a suspensão de passagem pelo estreito de Hormuz e pelo canal de Suez por motivos de segurança; dois navios teriam sido atacados no estreito.
- O cartel Opep+ elevou a produção em duzentos e seis mil barris por dia para abril; mercados globais reagiram com quedas em ações na Ásia e alta no ouro, que subiu para cinco mil trezentos e noventa e sete dólares e dez centavos a onça.
O preço do petróleo reagiu com alta acentuada nesta segunda-feira após ataques entre EUA e Israel contra a Iran, elevando temores de interrupção significativa no fornecimento global. O Brent chegou a subir até 82 dólares o barril, o maior nível em 14 meses, com o estreito de Hormuz sob pressão por relatos de bloqueio efetivo.
As bolsas de valores ficaram sob pressão: o Nikkei 225 caiu quase 2,4% em Tóquio, enquanto as negociações a termo indicavam abertura negativa em Wall Street. Em Sydney, o índice ASX 200 abriu em baixa de cerca de 0,4%. O ouro valorizou 2,8%, atingindo pouco acima de 5.397 dólares a onça.
A postura militar indicou continuidade dos ataques. O presidente Donald Trump sinalizou que o conflito poderia durar mais quatro semanas e que as ofensivas prosseguiriam até que os objetivos dos EUA fossem alcançados. Ainda assim, os mercados observaram a atenção concentrada no estreito de Hormuz.
Mesmo com quedas iniciais, o Brent manteve alta de pelo menos 7% durante parte das negociações, refletindo a preocupação com interrupção do tráfego de petróleo. Cerca de 20% do petróleo existente no mundo passa pelo estreito, intensificando a percepção de risco de oferta.
Relatórios apontam que dois navios foram atacados no estreito, um próximo a Omã e outro próximo aos Emirados Árabes Unidos, segundo a UKMTO, agência de segurança marítima britânica. Iran nega oficialmente ter bloqueado o corredor, mas rastreadores mostram navios parados em ambos os lados.
A Maersk declarou que interromperia a passagem pelo estreito de Hormuz e pelo canal de Suez por motivos de segurança. No lado da oferta, a Opep+ anunciou incremento modesto de 206 mil barris por dia para abril, mas grande parte da produção ainda depende de deslocamento por via marítima.
A parcela de Iran na produção global do cartel é de cerca de 4,5%, o que sugere que qualquer interrupção nas exportações do país pode pressionar o mercado mundial de petróleo, mesmo diante de ajustes de produção anunciados pelo cartel. Especialistas destacam que, sem sinais de desescalada, a reprecificação do petróleo tende a permanecer alta.
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