- A consolidação do setor de gestão de patrimônio está apenas começando, com Fami e Azimut ampliando a atuação de consultoria para reforçar operações e escala.
- Grandes grupos passam a adquirir e incorporar multifamily offices, buscando oferecer, de maneira integrada, serviços holísticos de patrimônio com receita mais estável.
- O movimento é impulsionado pela mudança de modelo, do foco em recomendações de produtos para consultoria abrangente, em um contexto de juros em torno de 15% por período, e patrimonios crescentes que demandam eficiência tributária e diversificação.
- A regulação avançou: a resolução 179 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passou a exigir divulgação clara de remunerações e conflitos de interesse, favorecendo modelos de consultoria com taxa fixa.
- O mercado segue aquecido: bancos abrem plataformas para que consultorias gerenciem carteiras de clientes dentro das instituições, e players como Manchester, Avin e outros projetam crescimento via aquisições; estudo da EY mostra que brasileiros com patrimônio acima de um milhão se sentem bem atendidos, mas não são leais e podem mudar de prestador.
Durante a pandemia, houve um boom de assessorias de investimentos impulsionado pela Selic baixa, elevando a demanda por ativos de maior risco. Escritórios passaram a adquirir operações para reforçar as suas plataformas, movimento que hoje chegou às consultorias de investimentos.
Executivos do setor afirmam que o fenômeno está apenas começando. A mudança envolve sair de um modelo centrado em recomendações de produtos para um atendimento holístico do patrimônio, com maior cobrança de taxa fixa e foco em eficiência tributária.
Segundo estudo da EY, investidores na América Latina com patrimônio superior a R$ 1 milhão estão bem atendidos, mas não são leais. Quase 3 contas em média por investidor e 33% consideram trocar de prestador, destacando o valor de atendimento holístico e de marcas fortes.
A partir de 2024, a CVM reforçou transparência ao impor resolução 179: intermediários devem divulgar remunerações e conflitos de interesse, além de enviar extratos trimestrais. A norma favorece modelos com remuneração fixa, em detrimento de comissões variáveis.
A Fami, maior grupo independente de assessoria e consultoria no Brasil, com R$ 55 bilhões sob gestão, acelerou a expansão da consultoria, chegando a R$ 20 bilhões sob gestão no braço específico. A casa adquiriu um multifamily office e busca novas aquisições para ampliar escala.
Wilson Barcellos, CEO da área de wealth da Azimut, afirma que a empresa mira R$ 30 bilhões sob gestão até o fim do ano, com crescimento majoritariamente orgânico. A Azimut soma R$ 22 bilhões sob gestão e já realizou três aquisições de escritórios.
A Manchester, que iniciou como corretora da XP, planeja comprar ou montar a sua unidade de consultoria. O sócio-diretor Lucas Pereira diz que o modelo de taxa fixa já representa 25% da receita do serviço, com expansão para clientes de maior patrimônio.
A Acqua Vero, que se fundiu ao multifamily office SWM, criou a Avin, com R$ 17 bilhões sob gestão. Eduardo Akira, sócio-diretor, destaca a importância da diversificação e de aquisições contínuas, com destaque para estrutura offshore.
Bancos também aceleram a parceria com consultorias. O Itaú lançou o Wealth Services para gerir parte das carteiras sem retirar recursos dos clientes. A Fami participa do onboarding dessas plataformas para ampliar atuação.
A expansão envolve ainda a XP, que vem adquirindo participações nos últimos cinco anos, incluindo a Manchester. Grupos internacionais, por sua vez, procuram entender o mercado brasileiro com a EY como referência, embora sem alvos anunciados.
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