- Lula, em Seul, afirmou que a cooperação com empresas sul-coreanas em setores intensivos em conhecimento é prioridade, com foco em minerais críticos e geração de tecnologia no Brasil.
- Foram destacadas oportunidades nas áreas aeroespacial, saúde, cosméticos e cultura, incluindo a parceria com a startup Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara e o compartilhamento de dados de satélites.
- Na saúde, há expectativa de fabricação conjunta de vacinas, fármacos e insumos; o laboratório de biossegurança Órion, ligado ao acelerador Sirius, deve apoiar pesquisas, com reforço de cooperação entre Fiocruz e instituições brasileiras.
- No setor de cosméticos, o Brasil superou US$ 1 bilhão em exportações em 2025, e a Coreia do Sul é grande produtor global, sugerindo potencial de integração entre biodiversidade brasileira e tecnologia coreana.
- No comércio, a corrente Brasil-Coreia fica em torno de US$ 11 bilhões; a ApexBrasil aponta 280 oportunidades para produtos brasileiros, com acordo de cooperação comercial e integração produtiva em foco.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a cooperação entre o Brasil e empresas sul-coreanas em setores intensivos em conhecimento é prioridade para o Brasil. A declaração ocorreu em Seul, durante o encerramento de um fórum empresarial que reuniu cerca de 230 empresas dos dois países.
Lula destacou o potencial de parcerias na exploração de minerais críticos, lembrando que a Coreia é grande produtora de semicondutores e baterias. O Brasil possui minerais estratégicos para eletrônicos e veículos elétricos, segundo ele, e pode atuar como parceiro confiável em um cenário de mudanças nas regras comerciais.
O presidente enfatizou que o Brasil busca ir além da exportação de matérias-primas, visando parcerias que permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta no país. A ideia é fortalecer cadeias produtivas e ampliar o papel da economia brasileira no setor tecnológico.
Entre os temas citados, segundo Lula, há cooperação mutuamente benéfica nas áreas aeroespacial, saúde, cosméticos e cultura. Ele mencionou operações da startup coreana Innospace em Alcântara, no Maranhão, ressaltando a importância do diálogo entre agências espaciais para ampliar esse intercâmbio.
Na saúde, o líder brasileiro apontou a expectativa de fabricar vacinas, fármacos e insumos médicos em parceria com a Coreia do Sul, à medida que o Brasil avança na construção do laboratório de biossegurança Órion, ligado ao acelerador Sirius. Instituições públicas brasileiras também buscam fortalecer cooperação com a Coreia.
Sobre cosméticos, Lula destacou que o Brasil superou US$ 1 bilhão em exportações em 2025, enquanto a indústria coreana já compite com a francesa no mercado global, defendendo que a biodiversidade brasileira aliada à tecnologia coreana pode ampliar o alcance do setor.
No campo cultural, o presidente mencionou oportunidades de parcerias, destacando o peso da economia criativa brasileira e a expressão de conteúdos como música, cinema e televisão. Segundo ele, o Brasil tem setores criativos relevantes para o debate global.
Comércio e integração
A corrente de comércio entre Brasil e Coreia é de cerca de US$ 11 bilhões, bem abaixo do recorde de quase US$ 15 bilhões em 2011. Lula sinalizou que a ApexBrasil identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros na Coreia, de alimentos a químicos.
Pouco antes, Lula foi recebido pelo presidente sul-coreano Lee Jae-myung em visita de Estado, durante a qual foram firmados 10 atos de cooperação. O principal acordo envolve cooperação comercial, integração produtiva e fortalecimento de cadeias de suprimentos.
Os acordos também visam ampliar a cooperação industrial, tecnológica e agrícola, com foco na inovação de minerais estratégicos, indústrias sustentáveis e audiovisual. Ministérios brasileiros passarão a se reunir regularmente para alinhar as relações econômicas.
Lula também citou indicadores socioeconômicos brasileiros e políticas públicas de incentivo a investimentos estrangeiros, como PAC, NIB, MOVER e o Plano de Transformação Ecológica. Ele ressaltou ainda o avanço sanitário para abrir o mercado de carne bovina à Coreia.
O presidente afirmou que o Brasil está preparado para atender à demanda sul-coreana por proteína, caso haja interesse, destacando o papel do agronegócio brasileiro na estratégia de abertura de mercados.
Por fim, o chefe de Estado reforçou a defesa do multilateralismo e criticou guerras comerciais, defendendo soluções via diálogo e negociações que promovam ganhos mútuos, sem recorrer a medidas protecionistas.
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