- Panama anulou as concessões de portos da CK Hutchison para Balboa e Cristobal, após decisão judicial final publicada no Diário Oficial.
- Autoridades panamenhas tomaram posse dos portos e emitiram contratos temporários para operação pela Autoridade do Mar do Panamá (AMP) e por operadoras associadas, mantendo a continuidade das operações.
- A CPM (Panama Ports Company) foi instruída a deixar os portos, sob ameaça de acusação criminal a seus funcionários que desrespeitassem a ordem.
- CK Hutchison afirma que a decisão, o decreto e a tomada de controle são ilegais e pretende acionar ações legais nacionais e internacionais.
- A medida pode impactar a venda de ativos da CK Hutchison no Exterior a um consórcio liderado pela BlackRock e MSC, já em processo de negociação.
Hong Kong conglomerate CK Hutchison informou que autoridades panamenhas ameaçaram processar criminalmente seus funcionários caso desobedecessem ordens para deixar os portos estratégicos do Pacífico e do Caribe, centrais em disputa jurídica entre Beijing e Washington. A retirada ocorreu após decisão judicial publicada na imprensa oficial do Panamá.
Na segunda-feira, o Panamá publicou decreto que cancela concessionárias da empresa Panam Port Company, controlada pela CK Hutchison, e autoriza operações temporárias por parte de AMP Terminals Panama e MSC. A medida formaliza a anulação das concessões dos terminais Balboa e Cristóbal, usados há quase três décadas.
CK Hutchison afirmou que o ato de retomada violou contratos e constituição nacional, planeja ações legais nacionais e internacionais e questiona a legalidade da operação. A empresa também informou que houve entrada física nos portos para remover funcionários.
Panamá passou a administrar temporariamente as duas praças portuárias para manter a continuidade operacional. As portarias temporárias foram concedidas pelo governo, com contratos de concessão de até 18 meses. APM Terminals Panama ficará com Balboa, enquanto TIL Panama, ligada à MSC, operará Cristóbal.
Alberto Aleman Zubieta, responsável pela transição técnica, disse que a intervenção visa evitar interrupções nas operações. O presidente panamarense, José Raúl Mulino, reiterou que a medida não configura expropriação, mas uso temporário dos ativos até definição de novo modelo de concessão.
Mais cedo, a autoridade panamenha pediu respeito aos contratos e afirmou que a transição busca um ambiente de negócios estável. Em resposta, Maersk e MSC não emitiram comentários imediatos. A situação envolve tensões entre interesses de empresas e autoridades em vias de definir o controle portuário.
Entre na conversa da comunidade