- O PIB dos EUA avançou 1,4% na taxa anualizada no quarto trimestre de 2025, bem abaixo da previsão de 3,0%.
- A paralisação do governo (shutdown) é estimada em reduzir o PIB em 1,5 ponto percentual nesse período.
- O déficit comercial atingiu o maior nível em cinco meses em dezembro.
- O relatório aponta crescimento sem criação de empregos e uma economia em formato de “K”, com renda alta indo bem e renda baixa com dificuldades.
- Em 2024 foram criados 181 mil empregos, o menor ganho anual desde a crise de 2009, com gastos do consumidor desacelerando.
O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos cresceu 1,4% na taxa anualizada no quarto trimestre de 2025, segundo estimativa preliminar do BEA. O resultado ficou abaixo das expectativas de 3,0% dos economistas consultados pela Reuters. A divulgação ocorreu após dados que mostraram maior déficit comercial em dezembro.
Economistas atribuem o recuo parcial ao shutdown público e à cautela dos consumidores. O impasse fiscal de 43 dias pesou na atividade de serviços públicos, gastos federais e benefícios de programas sociais, contribuindo para a leitura mais fraca do trimestre.
O relatório ressalta ainda que o desempenho vem sem forte criação de empregos, com a economia apresentando uma dinâmica de alta renda concentrada e dificuldades para os rendimentos mais baixos, em meio à inflação e à estagnação salarial.
Impacto do Shutdown
O Escritório de Orçamento do Congresso estima que a paralisação reduziu o PIB do quarto trimestre em 1,5 ponto percentual. O crescimento do terceiro trimestre foi de 4,4%.
A queda resulta da menor atividade de funcionários públicos, redução de compras do governo e atraso em pagamentos de benefícios, segundo o documento. Parte da produção adicional pode ser recuperada, mas entre US$ 7 bilhões e US$ 14 bilhões tendem a permanecer perdido.
Antes da divulgação, o governo apontou que a paralisação foi um fator significativo para o desempenho do trimestre, destacando o atraso de impactos fiscais e operacionais na economia.
Desempenho do consumo e cenário futuro
O fraco ritmo de gastos do consumidor contrariou o desempenho observado no terceiro trimestre, quando a expansão chegou a 3,5%. O consumo foi puxado principalmente por famílias de renda mais alta, com impactos na poupança por conta da inflação.
Analistas esperam que cortes de impostos e investimentos em tecnologia, especialmente em IA, apoiem a atividade neste ano, ainda que o ambiente fiscal permaneça volátil e com riscos externos.
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