- Citi estima impacto limitado nos lucros de bancos brasileiros em 2026 devido ao adiantamento de 84 meses das contribuições ao FGC e à cobrança extraordinária de 6 pontos básicos ao ano, após a liquidação do Banco Master.
- O efeito varia de 0,4% do lucro (Nubank) a 1,9% (Banco do Brasil), com impacto de cerca de 8 pontos básicos no capital de Nível 1 no quarto trimestre de 2025.
- A metodologia usa custo de oportunidade de 100% do CDI e inclui Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil, Nubank, Banco Inter e ABC Brasil; pode superestimar BB, Itaú e Nubank por considerar depósitos fora do país.
- O Conselho Monetário Nacional aprovou, em janeiro, mudanças no estatuto do FGC; o Banco Central deve formalizar entre março e maio o cronograma de parcelamento do adiantamento de 60 meses.
- Os bancos negociam com o BC o uso de depósitos compulsórios para financiar os adiantamentos; há possibilidade de dispensa da contribuição, para reduzir custo de oportunidade e preservar metas de ROE.
O Citi avalia que o adiantamento de contribuições ao FGC, após a liquidação do Banco Master, pode oferecer um efeito limitado sobre os lucros dos grandes bancos brasileiros em 2026. O estudo aponta ajustes no financiamento do Fundo e uma sobretaxa operacional que impactam o custo de capital de forma moderada.
Segundo a equipe liderada por Gustavo Schroden, o cerne da revisão envolve adiantar 84 meses de contribuições ordinárias, o que corresponde a 1 ponto básico dos depósitos elegíveis. O cenário projeta 60 meses de adiantamento em 2026, 12 meses em 2027 e 2028, com uma contribuição extraordinária de 6 pontos básicos ao ano.
A amostra do estudo reúne Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil, Nubank, Banco Inter e ABC Brasil. Os analistas calculam custos usando 100% do CDI como custo de oportunidade para os bancos.
Contexto regulatório
Após o CMN aprovar, em janeiro, mudanças no estatuto do FGC, o próximo passo envolve o BC formalizar o cronograma para o adiantamento de 60 meses. A expectativa é de evolução entre março e maio, conforme a visão do Citi.
O banco central pode ainda conceder uma dispensa (waiver) da contribuição, dada a natureza extraordinária da situação e o fato de alguns bancos terem espaço de capital limitado. As provisões teriam ponderação de risco de 100%.
O Citi aponta que bancos negociam, via Febraban, o uso de depósitos compulsórios no financiamento desses adiantamentos ao FGC. Como os compulsórios são ativos não remunerados mantidos no BC, o redirecionamento pode reduzir custos de oportunidade para as instituições.
Impacto financeiro e desdobramentos
Para o universo de cobertura, o Citi registra impactos de 0,4% do lucro para Nubank até 1,9% para o BB, com o efeito no capital de Nível 1 estimado em cerca de 8 pontos básicos no nível do quarto trimestre de 2025. Os analistas indicam que as estimativas para BB, Itaú e Nubank podem estar um pouco acima da realidade, já que o cálculo considerou todos os depósitos, inclusive operações fora do Brasil.
Entre as medidas que podem acelerar a mitigação, o estudo aponta iniciativas de eficiência e possível reprecificação de crédito para sustentar metas de ROE. O grupo também ressalta que o uso de depósitos compulsórios, já não remunerados, pode reduzir o custo de oportunidade para os bancos.
Entre na conversa da comunidade