- A Raízen mantém investimentos em plantio e segurança dos canaviais, enquanto avalia reduzir outros investimentos não prioritários, conforme afirmou o diretor de Relações com Investidores, Philippe Casale, em teleconferência.
- Os acionistas controladores Cosan e Shell comprometeram-se a aportar capital para uma solução definitiva dos problemas financeiros da empresa.
- A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026 e a dívida líquida atingiu R$ 55,3 bilhões; houve impairment de R$ 11,1 bilhões, sem efeito caixa.
- O capex da safra 2025/26 deve ficar entre o meio e a parte baixa do guidance de R$ 9 bilhões a R$ 9,8 bilhões, com expectativa de redução de cerca de R$ 3 bilhões pela gestão.
- Vendas de ativos somaram cerca de R$ 5 bilhões em doze meses; a venda da unidade na Argentina deve ser concluída até o final do ano, enquanto negociações com a Mercuria avançam para ativos argentinos por mais de US$ 1 bilhão.
A Raízen informou que preserva investimentos em plantio e segurança dos canaviais, como prioridade para manter produtividade. A prioridade é manter a operação estável, mesmo avaliando cortes em atividades não essenciais.
Na teleconferência, o CEO Nelson Gomes destacou que os controladores Cosan e Shell se comprometeram a aportar capital para uma solução definitiva da situação financeira da empresa, com foco na redução da dívida. A empresa admite necessidade de equilíbrio de capital.
A Raízen divulgou resultados do terceiro trimestre da safra 2025/2026 com prejuízo líquido de aproximadamente R$ 15,65 bilhões e dívida líquida de R$ 55,3 bilhões, além de impairment de R$ 11,1 bilhões. Não houve efeito caixa.
Investimentos em canaviais
O topo do guidance de capex para a safra 2025/26 fica entre R$ 9,0 bilhões e R$ 9,8 bilhões, com expectativa de redução de cerca de R$ 3 bilhões em relação ao que já foi planejado. O foco permanece na produção de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis.
Na temporada anterior, a Raízen investiu R$ 11,9 bilhões. O diretor de RI explicou que o último trimestre tende a concentrar mais recursos em açúcar e etanol, elevando o peso do capex no fim do ciclo.
Em relação à operação, a moagem da safra 2025/26 até o terceiro trimestre somou 70,3 milhões de toneladas, ante 77,5 milhões no mesmo período da safra anterior, em razão de fortes chuvas e geadas.
Aporte dos controladores
A administração ressaltou que a dívida alta não reflete problemas operacionais, mas sim desequilíbio de capital. A provisão de R$ 11 bilhões no trimestre é explicada como impairment, sem saída de caixa, porém impacta o resultado.
Gomes afirmou que a liquidez é robusta, mas a estrutura de capital exige intervenção. O plano envolve venda de ativos, simplificação operacional e corte de custos, com assessores financeiros e legais já contratados. O objetivo é manter a viabilidade a longo prazo.
O CEO acrescentou que o processo de ajuste é conduzido em conjunto com os acionistas controladores, que devem contribuir com capital dentro de uma solução consensual e estruturante, ainda sem detalhes. A expectativa é de continuidade do processo nos próximos meses. A operação segue no curso normal.
Vendas de ativos
Durante 12 meses, a Raízen vendeu ativos por cerca de R$ 5 bilhões, ajudando a reduzir investimentos. As negociações da unidade na Argentina devem finalizar até o fim deste ano. A Raízen não comentou o interesse de compradores específicos. A empresa busca ganhos de eficiência e foco nas atividades centrais.
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