- Luckin Coffee abriu a flagship Origin Flagship, em Shenzhen, com cafés filtrados e cold brew; os preços são mais altos que os tradicionais e houve filas de até três horas desde o soft opening em 20 de janeiro.
- A novidade representa um avanço da Luckin sobre o segmento premium da Starbucks, que consolidou esse formato com as Reserve Roasteries na China.
- A Starbucks planeja vender 60% do negócio na China para a Boyu Capital, mantendo 40%, em operação avaliada em US$ 13 bilhões, enquanto as mesmas lojas continuam a registrar melhorias, mas margens ainda desafiadoras.
- A Luckin enfrenta competição de redes chinesas e sondagens sobre possível oferta pela Costa Coffee, da Coca‑Cola, com avaliações em torno de US$ 1,3 bilhão pela rede britânica, conforme rumores e conversas iniciais.
- Brasil é fornecedor relevante para ambas: as duas redes compram café brasileiro; a Starbucks tem histórico programa com produtores, e a Luckin utiliza arábica de blends via traders internacionais para o mercado chinês.
Luckin Coffee intensificou a disputa pela liderança no café premium na China ao abrir uma loja flagship em Shenzhen, na fronteira com Hong Kong. A Origin Flagship, de dois andares, oferece pour-over, cold brew e criações como latte de tiramisù. O lançamento ocorreu em janeiro, com filas que chegaram a três horas de espera.
A operação marca o esforço mais direto da Luckin para desafiar a Starbucks, que consolidou o conceito premium no país com as Reserve Roasteries. A Starbucks abriu a primeira unidade na China em Xangai, em 2017, apostando no consumo de alto valor agregado entre consumidores chineses.
A rede chinesa já lidera em número de lojas no país, resultado de um modelo baseado em aplicativo e quiosques. Em Shenzhen, a 30ª loja foi anunciada como parte dessa expansão, mesmo após o escândalo contábil de 2020 que levou a Luckin a deixar a Nasdaq.
A disputa ocorre em um contexto de pressão competitiva de redes domésticas como Manner e Cotti, que praticam preços mais baixos. A Luckin utiliza estratégias de marketing agressivas e um ecossistema de app para fidelizar clientes e acelerar formatos de loja.
A Starbucks tem respondido com uma mudança na governança da operação chinesa: pretende vender 60% do negócio para a Boyu Capital, avaliando a operação em cerca de US$ 13 bilhões, mantendo 40% e controlando parte das futuras licenças.
A performance de lojas próprias da Luckin tem impulsionado a receita; no trimestre encerrado em setembro de 2025, a companhia reportou US$ 1,55 bilhão, crescimento de ~48% frente ao ano anterior. A receita anual é estimada em US$ 5 bilhões.
Ambas as redes compram café do Brasil, principal fornecedor da commodity para o mercado chinês. A Luckin utiliza em blends majoritariamente arábica, com compras via traders internacionais, enquanto a Starbucks mantém histórico de abastecimento institucionalizado com cooperativas e programas de-simento.
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