- O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu uma postura conservadora e a calibração gradual da Selic para março, enfatizando a necessidade de depender de dados para ganhar confiança.
- Galípolo comparou o BC a um transatlântico, dizendo que a instituição não pode fazer grandes mudanças e deve mover-se de forma mais comedida para suavizar os ciclos.
- O Copom avaliou manter 45 dias para iniciar o ciclo de cortes, com o mercado apontando probabilidade de corte de 50 pontos-base em março (66,04%), frente a outras possibilidades.
- O presidente afirmou que não iria reparar a comunicação do BC e que a sinalização de curto prazo está bem capturada pelo mercado; não indicou decisões para o restante do ano.
- Sobre o cenário eleitoral, disse que a atuação do BC não muda diante de pesquisas e que, mesmo com o período eleitoral, o horizonte da política monetária vai além das campanhas, com o mercado de trabalho ainda bastante apertado.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta-feira a postura conservadora da instituição ao analisar a calibragem dos juros para março. Ele destacou a necessidade de utilizar dados para ganhar confiança no momento de reduzir ou manter a Selic, enfatizando serenidade no processo decisório.
Durante um evento promovido pelo BTG Pactual, Galípolo comparou o BC a um transatlântico, afirmando que mudanças abruptas são improváveis. Segundo ele, o objetivo é evitar movimentos bruscos e buscar suavidade na condução da política monetária.
O presidente reiterou que o BC pretende suavizar os ciclos, conforme prevê o mandato, mantendo a comunicação alinhada com o guidance já divulgado. A ideia é agir com prudência diante da incerteza das projeções, o que justificaria aguardar até que haja maior confiança para o início do ciclo de cortes.
Mercado e projeções passaram a precificar, no momentâneo, possibilidade de cortes na Selic de 50 pontos-base em março, com menores probabilidades para reduções menores ou maiores, conforme dados da B3. Galípolo afirmou que a sinalização de curto prazo tem sido bem capturada pelo mercado.
Questionado sobre anúncios de política monetária para o restante do ano, o presidente evitou indicar diretrizes, enfatizando que sinais prematuros podem causar mais danos do que benefícios diante da incerteza atual. A leitura é de que decisões futuras dependerão do cenário econômico.
Quanto ao impacto de eleições neste ano, Galípolo observou que o BC não muda de atuação diante de pesquisas e que o horizonte relevante da política monetária excede o período eleitoral. Ele citou o mercado de trabalho como um fator de atenção para a inflação.
Ainda segundo o chefe do BC, a inflação continua a ser prioridade, e o funcionamento do mercado de trabalho é visto como elemento-chave para o controle de preços. O objetivo é manter a inflação sob controle sem prejudicar o crescimento.
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