- Dario Durigan, 41 anos, secretário-executivo da Fazenda, é o nome mais cotado para assumir o Ministério da Fazenda no governo Lula, em ano eleitoral.
- Haddad sinalizou que deve deixar o cargo em fevereiro, mantendo a aposta pela continuidade da linha fiscal já adotada.
- A leitura é de que a nomeação evitaria sobressaltos, preservando o arcabouço fiscal e ampliando o diálogo com Congresso e investidores.
- Economistas destacam que Durigan é visto como gestor técnico e pragmático, sem vínculos fortes com o PT, o que reduz resistências ideológicas, porém exige habilidade política.
- O arcabouço fiscal não conseguiu estabilizar a dívida, que atingiu setenta e oito vírgula sete por cento do Produto Interno Bruto em dezembro, mantendo a necessidade de ajustes após 2026.
Dario Durigan, atual secretário-executivo da Fazenda, aparece como o principal cotado para assumir a pasta econômica no governo Lula após o atual titular, Fernando Haddad, sinalizar saída em fevereiro. A ideia é manter a linha fiscal já adotada, mesmo com o futuro político incerto.
A aposta é de continuidade na estratégia que busca articular o alcance de receitas, manter o arcabouço fiscal e evitar mudanças bruscas na política econômica. A nomeação pretende reduzir sobressaltos em um ano eleitoral.
No Planalto, Durigan é visto como perfil neutro, com boa relação com a Casa Civil, e trânsito suficiente no Congresso para evitar crises. Não integra o núcleo histórico do PT, o que pode facilitar negociações com diferentes forças.
Na leitura de investidores, Durigan tende a manter uma gestão técnica e previsível, priorizando a execução do que já foi contratado. Analistas sugerem que não haverá mudanças profundas na política econômica enquanto durar o calendário eleitoral.
Perfil de Durigan
Durigan é advogado formado pela USP, com mestrado pela UnB, e atua como servidor da AGU. Mantém uma relação de confiança com Haddad e ocupou cargos estratégicos em diferentes órgãos públicos ao longo de mais de uma década.
Ao longo da carreira, exerceu funções na Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff e na prefeitura de São Paulo. Também passou pelo setor privado, atuando no WhatsApp Brasil, o que ampliou sua rede de contatos institucionais.
No governo Lula, Durigan ganhou destaque ao atuar na articulação de medidas como tributar fundos exclusivos e ajustar benefícios fiscais. Sua atuação é marcada pela busca de consenso e pela capacidade de costurar votações sensíveis.
Contexto fiscal e cenário político
Especialistas apontam que a escolha tende a manter o desenho fiscal, mesmo diante de pressões com o crescimento do gasto público. O arcabouço fiscal, contudo, não estabilizou a trajetória da dívida, que ficou em 78,7% do PIB em dezembro.
A questão central envolve a dificuldade de reduzir despesas e manter o equilíbrio orçamentário sem enfrentar conflitos políticos. O governo tem usado a exclusão de despesas da meta fiscal para cumprir as regras.
Para economistas, a transição tende a ser administrativa, com pouca margem para novidades até o fim do mandato. O futuro ministro terá prazo curto para apresentar iniciativas novas, devido ao ambiente eleitoral.
O martelo sobre a sucessão ainda depende da decisão final de Lula. Haddad tem elogiado Durigan, destacando conhecimentos técnicos, mas a escolha permanece nas mãos do presidente.
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