- Para 2026, a aposta é de continuidade na economia brasileira, com crescimento previsto de 1,9% e inflação/emprego em níveis próximos aos de 2025; a Selic deve começar a cair em março, chegando a 12,75%.
- O desemprego permanece baixo, sugerindo equilíbrio estrutural menor e sustentando o consumo.
- O consumo continua impulsionado por medidas de renda: antecipação de precatórios, reajustes reais do salário mínimo, expansão de programas sociais e a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil.
- O cenário externo inclui dólar em queda e fluxo estrangeiro expressivo, com injeção de cerca de R$ 23 bilhões na B3 em janeiro, ajudando a valorização do real.
- A volatilidade deve aumentar quando os candidatos à eleição forem definidos (provavelmente a partir de abril), com atenção a possíveis impactos fiscais após o pleito; o Banco Central mantém credibilidade e estabilidade para a condução da política.
Em entrevista à Forbes Brasil, Fernando Machado Gonçalves, superintendente de pesquisa econômica do Itaú Unibanco, afirma que a palavra de 2026 é continuidade. O ano será eleitoral, mas o BC sinaliza cortes de juros no ciclo que começa em março.
Segundo ele, o cenário deve repetir o ritmo de 2025: influxos estrangeiros em ativos atrelados ao dólar em queda, política monetária previsível e consumo doméstico sustentado por estímulos fiscais. O mercado aguarda definição de candidatos apenas em julho.
Para Gonçalves, o tema fiscal deve permanecer sob controle a curto prazo, com possível reajuste após a eleição. A trajetória base é de continuidade, com leve desaceleração da atividade e ajustes marginais na inflação e no PIB.
Cenário para 2026
O PIB é visto em torno de 1,9% com viés de alta, ante 2,3% em 2025. Desemprego segue em queda, com equilíbrio estrutural mais baixo, e inflação de serviços em torno de 5,5%. A Selic deve iniciar queda para 12,75% em março.
O dólar em declínio e fluxo para ativos de renda variável ajudam o cenário. O economista destaca que o consumo é o motor, impulsionado por programas sociais, reajustes reais do salário mínimo e isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil.
Inflação, juros e política fiscal
A combinação desemprego baixo e consumo aquecido pressiona salários e serviços, dificultando a redução da inflação. O BC teria espaço para cortes moderados, mantendo a credibilidade da política monetária sem depender de austeridade fiscal.
Gonçalves ressalta que as expectativas de longo prazo, medidas de neutralidade fiscal e a credibilidade do BC sustentam a condução monetária. A volatilidade tende a surgir com a definição dos candidatos, especialmente entre abril e maio.
Atratividade externa
O entrevistado ressalta que o Brasil é visto de forma mais favorável no exterior que no Brasil. Energia limpa, potencial de carbono e agronegócio fortalecem a percepção de viabilidade. Fluxos para o país costumam ter impacto desproporcional sobre ativos e câmbio.
Ele aponta que a saída de capitais dos EUA é ampla, enquanto a entrada em outras economias é mais restrita, o que amplifica movimentos no real. Esse diferencial ajuda a explicitar a valorização recente da moeda brasileira.
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