- Ligga Telecom retirou cerca de R$ 350 milhões do caixa para aplicações sem liquidez diária, parte em cédulas de crédito bancário do Banco Master.
- Moody’s rebaixou o rating da Ligga de BBB.br para BB-.br, em dezembro de 2025, citando opacidade nos demonstrativos e risco de liquidez.
- Demonstrativos de 2022 mostram queda do caixa e aumento de aplicações financeiras ilíquidas; houve aprovação da contratação de CCBs com o Banco Master sem passar pelo Conselho de Administração.
- Polícia Federal investiga possível relação de Nelson Tanure com o Banco Master em esquema de fraudes contábeis; o Master foi liquidado pelo Banco Central em 17 de novembro.
- A Ligga está em negociações para venda; há confirmação de tratativas preliminares com a Brasil Tecpar, e a empresa vendeu o espectro 5G no Paraná para a Unifique por 20 milhões.
A Ligga Telecom, controlada pelo empresário Nelson Tanure, transferiu cerca de R$ 350 milhões do seu caixa para aplicações financeiras sem liquidez diária. Parte do valor foi investida em cédulas de crédito bancário (CCBs) do Banco Master, cuja liquidação ocorreu pelo Banco Central. A operação ocorreu entre 2022 e 2025, conforme demonstrativos internos.
A decisão, tomada pela diretoria da Ligga, não passou pelo Conselho de Administração, prática que reforça dúvidas sobre governança. Segundo o último demonstrativo, até setembro de 2025 o caixa consolidado somava R$ 19,1 milhões, enquanto as aplicações alcançavam R$ 388,6 milhões. O montante ilíquido elevou o risco de refinanciamento.
Contexto financeiro e downgrade de rating
A Moody’s rebaixou, em dezembro de 2025, o rating da Ligga de BBB.br para BB-.br, com perspectiva negativa. A agência citou opacidade de informações e liquidez restrita como fatores que indicam risco elevado. O relatório recomenda atenção ao equilíbrio entre ativos líquidos e dívidas.
PF investiga vínculo com Banco Master
A Polícia Federal investiga se estruturas geridas por Tanure teriam sido usadas para capitalizar o Master ou ocultar créditos de difícil recuperação. Em 14 de novembro, Tanure foi abordado no Aeroporto do Galeão e teve celular apreendido durante a operação Compliance Zero.
Sobre o Banco Master e CCBs
CCBs servem como contratos de crédito entre emissor e investidor. Investigações indicam uso de CCBs para circular recursos, o que pode mascarar a saúde financeira de instituições. Em 2021, a Ligga emitiu debêntures de R$ 300 milhões; em 2022, passou a manter mais de R$ 350 milhões em ativos ilíquidos.
Situação atual da Ligga
Na semana passada circularam rumores de venda da Ligga, com negociações avançadas com a Brasil Tecpar. Em 26 de janeiro, a Tecpar confirmou tratativas preliminares. Em 28 de janeiro, a Ligga informou a venda de parte do espectro 5G ao Consórcio 5G Sul, mantendo atuação junto à Unifique.
Posicionamento de Tanure
Tanure nega qualquer relação societária com o Master e afirma agir como cliente de diversas instituições. A defesa não se pronunciou à Gazeta do Povo, que manteve contato com a empresa para manifestação. A Ligga não respondeu aos convidados pela reportagem.
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