- Laura Wittmann, funcionária da Uline, renunciou após quatro anos e meio e escreveu um e‑mail institucional criticando os donos da empresa.
- No texto, afirmou que “à medida que a América cai no fascismo”, não poderia mais trabalhar para enriquecer quem ajudou nisso.
- Criticou os fundadores Liz e Dick Uihlein, apontados como grandes doadores de campanha do movimento Maga, com reportes indicando doação de cerca de 139 milhões de dólares em 2024.
- A carta faz referências a políticas como a Lei de Cuidados Aisi (Affordable Care Act) e aos cheques de estímulo, associando‑as a comportamentos de “nomads” mencionados em correspondência anterior.
- A Uline não comentou; a carta foi removida do email da empresa cerca de 40 minutos após o envio e houve repercussão em redes sociais.
Laura Wittmann, colaboradora da Uline no Canadá, apresentou demissão nesta semana após quatro anos e meio na empresa. A reação ocorreu em meio a críticas aos financiadores dos Republicanos MAGA, aos quais a Uline está ligada. O comunicado foi enviado por e-mail a toda a companhia na quarta-feira.
Segundo Wittmann, o avanço do que chamou de fascismo nos Estados Unidos tornou insustentável trabalhar para pessoas que contribuíram para esse quadro. Ela mencionou, sem detalhar, a relação política dos fundadores Liz e Dick Uihlein, afirmando que as acusações são opiniões pessoais e que as informações são alegações a serem verificadas por meio de pesquisa.
A funcionária, que atuava no atendimento ao cliente e estava em trajetória de liderança, reside em Ontario e trabalhava na sede da Uline, em Wisconsin. Em seguida à carta, a empresa retirou o e-mail dos termos de comunicação interna, conforme relatos de colegas.
Contexto sobre os patrocinadores
A família Uihlein figura entre os maiores doadores do espectro MAGA na eleição de 2024, segundo o portal OpenSecrets. A dupla contribuiu com milhões de dólares para comissões de ação política associadas a esse campo político, o que tem sido tema de discussões públicas sobre influência corporativa.
Wittmann citou uma série de fatores que, em sua visão, apoiam a crítica ao papel de grandes financiadores na política e ao impacto dessas ações na sociedade. Ela também embasou suas críticas em observações sobre políticas públicas e a relação entre o governo e as empresas privadas.
A ex-funcionária explicou que a decisão de falar publicamente foi influenciada por uma experiência recente em um museu de memória de guerra no Vietnã, que a fez refletir sobre consequências de atos de regimes e de autoridades. Ela afirmou que o momento pede responsabilidade individual, mesmo diante de riscos.
Repercussões na prática
Wittmann afirmou que pode retornar aos estudos ou tirar um tempo para planejar os próximos passos. Além disso, recebeu mensagens de apoio de ex-colegas e de pessoas em Wisconsin que encontraram a carta em redes sociais. A própria Uline confirmou o recebimento da demissão e informou que o desligamento é imediato.
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