- O presidente Donald Trump indicou Kevin Warsh para presidir o Federal Reserve; Warsh é ex-dirigente do banco central e crítico da instituição, casado com a bilionária Jane Lauder.
- Warsh tem 55 anos, formou-se em Direito pela Universidade de Harvard (1995) e atuou no Morgan Stanley, além de ter passado pelo Conselho Econômico Nacional e pelo Federal Reserve, tornando-se o mais jovem a integrar o BC aos 35 anos em 2006.
- Durante a crise financeira de 2008, contribuiu para o resgate da seguradora AIG e para a aquisição da Bear Stearns pelo JPMorgan; era contrário a cortes rápidos de juros e, em 2011, divergiu do plano de compra de títulos do Tesouro pelo Fed.
- A indicação recebeu também críticas e elogios: mensagens positivas de líderes internacionais e economistas, como Mark Carney e Robin Brooks, mas críticas de senadora Elizabeth Warren.
- Siga para confirmação no Senado; a indicação ocorre em meio a considerações sobre o mandato de Jerome Powell, que termina em maio, e a oposição de Tillis até a conclusão de uma investigação do Departamento de Justiça sobre Powell.
O presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira, 30 de janeiro, que Kevin Warsh é o indicado para presidir o Federal Reserve. Warsh é ex-dirigente do banco central e crítico da instituição, com vínculos familiares a um bilionário doador republicano. A indicação precisa passar pelo Senado.
Warsh, 55 anos, é formado em Direito pela Harvard (1995). Trabalhou no Morgan Stanley, chegando a vice-presidente e diretor executivo. Em 2002, ingressou no governo de George W. Bush como secretário executivo do Conselho Econômico Nacional.
Em 2006, Bush o indicou ao Conselho de Governadores do Fed, tornando-o, aos 35 anos, o mais jovem membro já nomeado ao BC dos EUA. Durante a crise de 2008, ajudou no resgate à AIG e na aquisição da Bear Stearns pelo JPMorgan.
Warsh criticou a rapidez dos cortes de juros do Fed na crise e foi o único membro a se opor, em 2011, à compra de US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro pelo banco central. Após deixar o Fed, atuou no Hoover Institution.
Desde 2011, Warsh trabalha como sócio da Duquesne Family Office, braço de gestão de patrimônio criado por Stanley Druckenmiller. Druckenmiller tem forte relação com o mundo financeiro e filantropia de peso no setor.
Em 2017, Warsh ficou entre os finalistas para suceder Janet Yellen, mas Jerome Powell foi escolhido. Ele já declarou, publicamente, críticas à política do Fed e apoio a uma mudança de regime na instituição.
O casamento de Warsh, em 2002, foi com a bilionária Jane Lauder, neta de Estée Lauder. O sogro, Ronald Lauder, é empresário e doador republicano. Empresários próximos a Trump teriam interesse em ampliar cooperação com o governo.
Recepção internacional à indicação foi mista. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, elogiou, enquanto analistas de Washington destacaram qualidades técnicas do indicado. Críticas também chegaram de democratas.
A senadora Elizabeth Warren criticou a escolha, argumentando que Warsh pode demonstrar lealdade a Wall Street. Ela questiona, ainda, a independência do Fed dependendo da relação com Trump.
Powell tem mandato de presidente até maio, com possibilidade de permanecer no conselho até 2028. Trump segue pressionando o banco e, neste mês, o Departamento de Justiça abriu investigação contra Powell.
A investigação envolve depoimentos sobre uma reforma de US$ 2,5 bilhões na sede do Fed. Powell nega as acusações. Em resposta, afirmou que o Fed age pela melhor avaliação pública, não por pressão política.
Para confirmar o indicado, o Senado precisa apreciar a nomeação. O senador Thom Tillis, do Comitê Bancário, disse que pode bloquear a indicação até a conclusão da apuração sobre Powell e a reforma da sede.
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