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Grande transferência de riqueza: regras atuais do imposto de herança

Regras de IHT nos EUA, Reino Unido e França moldam vendas de coleções e o planejamento de herdeiros na chamada grande transferência de riqueza

Rosa and Carlos de la Cruz. After Rosa died in February 2024, Carlos closed her Miami museum and sold off her collection to pay taxes and operating costs
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  • A chamada “grande transferência de riqueza” deve acelerar nos próximos anos, com grandes coleções sendo vendidas após o falecimento de colecionadores nos EUA, Europa e outros mercados.
  • Nos Estados Unidos, há imposto sobre heranças em nível federal e, em alguns estados, impostos adicionais. A isenção vitalícia é de US$ 13,99 milhões por pessoa (ou US$ 27,98 milhões por casal), com até 40% de taxação acima desse teto; há também CGT, com “step-up in basis” no valor de mercado na data da morte para cálculo de ganhos futuros.
  • No Reino Unido, a isenção de IHT é de £ 325 mil, com acresção de £ 175 mil para herdeiros diretos da casa principal; taxas de 40% sobre o que exceder o limite. Várias estratégias comuns incluem doação em vida, uso de “acceptance in lieu” e regimes de isenção condicionada para reduzir a carga tributária.
  • Na França, o imposto de transmissão (droits de succession) varia conforme o relacionamento entre falecido e herdeiro, com alíquotas de 5% a 45% e uma franquia de € 100 mil por herdeiro; regras de herdeiros forçados podem complicar planos de manter ou doar obras de arte.
  • Especialistas destacam a importância de avaliação recente do acervo, já que valores podem ser revisados pela Receita (IRS/autoridades locais) e a venda posterior pode gerar CGT sobre ganhos acima do valor fiscal de morte. Também há expectativa de aumento de vendas únicas e de uso de estruturas patrimoniais e museus para gerenciar heranças.

O mercado de artes enfrenta uma onda de vendas impulsionada pela chamada grande transferência de riqueza. A tendência revela que coleções de grandes compradores estão sendo monetizadas para cobrir impostos e custos operacionais, especialmente após falecimentos recentes. especialistas destacam que esse movimento deve ganhar fôlego nos próximos anos, tanto nos EUA quanto na Europa.

O cenário envolve regimes de imposto sobre heranças que variam conforme o país. Entre os fatores viáveis estão isenções, taxas de IHT e regras de valorização que afetam o que é herdado e o que pode ser vendido com ganhos tributáveis. A dinâmica influencia decisões de museus privados, famílias e instituições culturais.

A situação nos Estados Unidos

No país, o imposto pode incidir em nível federal e estadual, com uma isenção vitalícia elevada, que muda conforme reformas. A alíquota máxima pode chegar a 40% sobre o valor excedente da isenção. Alguns estados também impõem seus próprios impostos de herança sobre os ativos recebidos pelos herdeiros. O custo para manter uma obra pode aumentar se a venda ocorrer com ganhos desde o falecimento.

Quanto à base de cálculo, existe a chamada correção do custo para o herdeiro, o que reduz o imposto sobre ganhos de capital apenas sobre a parcela de valorização ocorrida após o falecimento. Esse ajuste evita tributar o ganho total já na herança, mas pode gerar disputas caso a avaliação seja contestada pelas autoridades fiscais.

A gestão de um legado artístico envolve precauções de avaliação, pois valores inflados ou subestimados podem ter consequências fiscais. Muitos colecionadores consideram a venda única de coleções inteiras como alternativa para manter parte do patrimônio familiar, mas isso depende de custos e da disponibilidade de compradores.

A situação no Reino Unido

No Reino Unido, o imposto sobre herança incide sobre o patrimônio avaliado, com faixas de isenção e regras de transferência entre cônjuges. A presença de herdeiros múltiplos costuma levar a escolhas entre dividir a herança ou realizar venda centralizada de itens valiosos. Além disso, o governo manteve mudanças limitadas no imposto, com impactos específicos para propriedades empresariais ligadas ao mundo das artes.

Existem ferramentas de planejamento, como a aceitação de obras em benefício público em troca de benefícios fiscais, a isenção condicionada e a doação em vida, que podem mitigar a carga tributária. A商务 de ativos móveis facilita estratégias diversas, combinando doações, vendas incentivadas e planejamento de longo prazo para reduzir o imposto.

Vendas em vida também aparecem como opção, especialmente quando a titularidade única de obras favorece ajustes de preço. O ganho de capital sobre vendas realizadas em vida é tributável, mas pode ser otimizado ao destinar os valores aos beneficiários ou esperar um período de carência para reduzir a carga tributária, desde que a sobrevivência ultrapasse sete anos.

A situação na França

Na França, o imposto de herança incide sobre cada beneficiário, com taxas que variam conforme relacionamento e valores herdados. Filhos costumam ter faixas variáveis, enquanto não parentes podem enfrentar alíquotas mais altas. Cada herdeiro recebe uma parcela isenta, e a existência de regras de herdeiro obligado pode complicar planos de manter uma coleção intacta.

Ferramentas de planejamento incluem doações diretas entre vivos e arranjos de usufruto, que ajudam a reduzir a exposição tributária, embora obras de arte não recebam tratamento preferencial automático. As autoridades incentivam inventários detalhados e avaliação profissional para evitar questionamentos e sobretaxação.

Além disso, debates no parlamento podem promover mudanças tributárias que afetariam bens como arte e coleções ao longo do tempo, aumentando a pressão para estratégias de doação, empréstimo a museus e uso de estruturas filantrópicas para reduzir o peso do imposto anual sobre riqueza.

Estratégias complementares incluem dation en paiement, semelhantes a mecanismos existentes em outros países, que permitem transferir obras para o Estado para quitar tributos. Tais ferramentas requerem aprovação criteriosa, priorizando peças que enriquecem o patrimônio público.

Observadores apontam que colecionadores devem tratar as obras como ativos estratégicos dentro do planejamento de riqueza, mantendo registros atualizados, avaliações regulares e estruturas de holding ou fundações dedicadas à gestão de acervos. A prática de doação em vida e a criação de fundos de dotação ganham espaço como parte de uma visão de longo prazo.

Segundo especialistas, a expectativa é de que trilhões de dólares em arte atravessem o mercado na próxima década, com grandes operações de patrimônio se tornando frequentes. O setor questiona se o mercado terá capacidade de absorver esse fluxo, esperando ajustes de gosto e demanda ao longo do tempo.

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