- A acareação ocorreu no fim de dezembro, por ordem do ministro Dias Toffoli, no âmbito de apuração sobre as carteiras vendidas pelo Master ao BRB.
- Daniel Vorcaro afirmou não ter ciência, na época, de negociações envolvendo a Tirreno, empresa citada como originadora das carteiras, e disse que houve conversas sobre um novo formato de comercialização por terceiros.
- Paulo Henrique Costa disse entender que as carteiras eram originadas pelo Master e apenas depois, em maio, ficou sabendo que eram originadas pela Tirreno.
- Segundo ele, as inconsistências surgiram após as operações, quando passaram a questionar quem eram os originadores específicos; houve informação de que as carteiras eram da Tirreno.
- O contrato entre Master e Tirreno foi fechado em dezembro de dois mil e vinte e quatro, com regras de responsabilidade, segurança e auditoria para eventual correção ou recompra de créditos.
- Em vinte e dois de novembro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e da sua corretora de câmbio, após investigações sobre cartões de crédito insubstanciais usados em fraudes.
- O conteúdo da oitiva foi revelado pelo portal Poder360 na quinta-feira, vinte e nove de dezembro.
A acareação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), discutiu a origem das carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB. O encontro ocorreu no fim de dezembro, por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, relator do inquérito sobre fraude no sistema financeiro. Fontes afirmam que o material foi revelado pelo portal Poder360 nesta semana.
Durante a oitiva, Vorcaro afirmou não ter conhecimento, na época, de que os papéis vendidos pelo Master eram da Tirreno, empresa recém-criada sem registros de movimentação financeira claro. Segundo ele, o Master havia discutido um formato de comercialização envolvendo terceiros, mas não tinha informações sobre a Tirreno na ocasião. O empresário disse que, mais tarde, já havia conversas sobre a possibilidade de carteiras originadas por terceiros, não mais pela originação própria.
Paulo Henrique Costa, por sua vez, afirmou acreditar que as carteiras tinham origem no Master. Ele explicou que o entendimento dele era de que o Master vendia ou negociava créditos a terceiros, que o BRB comprava e revendia. O ex-presidente informou que só houve clareza sobre a origem específica dos originadores após o início de investigações, com a identificação de créditos originados pela Tirreno no mês de maio.
A acareação ocorre dentro das investigações que apuram um suposto esquema de fraudes no sistema financeiro, envolvendo a suposta fabricação de carteiras de crédito insubsistentes. Segundo as apurações, esses ativos eram vendidos a outras instituições e, após análise do Banco Central, substituídos por ativos sem avaliação adequada. O caso ganhou relevância após o Banco Central decretar, em 18 de novembro deste ano, a liquidação extrajudicial do Master e de sua corretora de câmbio, o que interrompeu processos de venda em andamento.
Contexto e desdobramentos
As investigações apontam para falhas na originação e verificação de créditos, com consequências para a avaliação de ativos e para a confiança do mercado. A acareação, determinada por Toffoli, visa esclarecer divergências entre as versões apresentadas pelos dois executivos sobre a procedência das carteiras vendidas ao BRB.
O Portal da Justiça e veículos de imprensa acompanharam o desdobramento do inquérito. As informações mais recentes indicam que as autoridades seguem reunindo documentos e testemunhos para mapear responsabilidades e confirmar a cadeia de originação dos créditos.
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