- A NRF Retail’s Big Show, em Nova York, mostrou que o varejo mundial está maturando o uso de IA e automação para previsão de demanda, gestão de estoques, precificação dinâmica e desenho de promoções, visando vender com menos desperdício e mais margem.
- Houve a consolidação do conceito de “unified commerce”, com lojas físicas, e-commerce, apps e social commerce integrados para oferecer preços, estoques e atendimento consistentes em todos os canais.
- Um terceiro eixo é a gestão de risco e resiliência, com diversificação de fornecedores, produção mais próxima, contratos logísticos revisados e monitoramento em tempo real para reduzir impactos de choques e fraudes.
- A tendência impacta o Brasil, com expectativa da ABRAS de crescimento do consumo em torno de 3,2% em 2026, puxado por renda, empregos e programas de transferência de renda, apesar de juros elevados.
- O consumidor fica mais atento a preço, promoções e mix, combinando visitas físicas a pontos de venda com compras digitais e entregas rápidas.
O varejo global está incorporando a inteligência artificial de forma prática nas decisões diárias. Dados de demanda, estoques, precificação e promoções passam a orientar compras e margens, não apenas a criar vitrines tecnológicas. A mudança é de uso estratégico a infraestrutura invisível.
Na NRF Retail’s Big Show, realizada em Nova York no início de janeiro, grandes redes apresentaram resultados concretos: menos rupturas, gestão de preço em tempo real e promoção adaptada por canal. O foco é aumentar produtividade frente a inflação, guerras comerciais e fraudes.
O investimento em IA e automação se move para o cerne das operações. A decisão de o que comprar, quanto comprar e a que preço vender passa a ocorrer loja a loja, canal a canal, com impacto medido em EBITDA. A ideia é reduzir desperdício e elevar margem.
Unified commerce
A feira destacou a consolidação do conceito de unified commerce. As distinções entre loja física, e-commerce, apps, marketplaces e social commerce perderam relevância. Consumidores acessam produtos por múltiplos caminhos e esperam preços, estoques e atendimento consistentes.
Plataformas unificadas de dados permitem acompanhar o cliente de ponta a ponta. Compras online com retirada em loja, devoluções em pontos diferentes e ofertas personalizadas ao longo do trajeto são exemplos desse modelo.
Gestão de risco e resiliência
Diante de cadeias globais instáveis, varejistas diversificam fornecedores, aproximam produção e revisam contratos logísticos. Monitoramento em tempo real ajuda a reduzir impactos de frete, energia e insumos. IA é usada para detectar padrões de fraude e orientar o layout de lojas sem prejudicar a experiência.
A presença de furtos e fraudes ganhou espaço na pauta, mas o equilíbrio entre segurança e fluidez de compra continua prioridade para manter a experiência do cliente.
Panorama brasileiro
No Brasil, a ABRAS aponta perspectiva de crescimento do setor de supermercados em torno de 3,2% em 2026. O crescimento acompanha um consumo sustentado por renda, com emprego formal em alta e ganhos reais em faixas relevantes da população.
O efeito de reajustes do salário mínimo, isenção de imposto de renda e programas de transferência de renda mantém recursos para alimentação. Mesmo com crédito mais restrito, há tendência de compras mais prudentes e frequentes.
Comportamento do consumidor
Frente a juros elevados, consumidores adotam carrinhos menores e compras mais fragmentadas ao longo do mês. Há migração parcial para formatos de menor custo, uso de vizinhança e combinações entre compras físicas e digitais.
Essa leitura permite estratégias decisivas para varejistas: foco em precificação dinâmica, eficiência de estoques e atendimento coerente entre canais, com IA como fio condutor.
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