- Médicos passaram a orientar “compre o mais barato” entre quatro opções de semaglutida: Ozempic, Extensior, Wegovy e Poviztra, sinalizando abertura para genéricos em 2026.
- Descontos do programa NovoDia ajudaram a reduzir preços; valores variam conforme apresentação, com destaque para menores custos na dosagem inicial.
- O mercado brasileiro, que chegou a ter canetas acima de R$ 1.000, projeta chegar a cerca de R$ 20 bilhões em 2026, segundo estimativas, com expansão de concorrência.
- O SUS não disponibiliza GLP-1 para obesidade; tratamento público atual é apenas cirurgia bariátrica, mantendo os medicamentos no setor privado.
- Plataformas de prescrição digital ganham força com novas regras da Anvisa, que exigem receita retenida e envio eletrônico, facilitando compras em marketplaces.
O mercado brasileiro de GLP-1 vive uma mudança gradual para preços mais competitivos. Médicos passaram a orientar pacientes a buscar o medicamento com o melhor custo-benefício, apresentando uma lista com quatro opções de semaglutida, o que sinaliza a preparação para a entrada de genéricos em 2026. A prática foi apurada pela Bloomberg Línea a partir de prescrições e consultas.
A lista inclui Ozempic, Extensior, Wegovy e Poviztra, todos com o mesmo princípio ativo. A decisão de prescrição passou a depender do valor final para o paciente, após descontos aplicados por fabricantes e redes de farmácias. O movimento ocorre num cenário de queda de preços com a chegada de opções de menor custo.
Em números, o portfólio de semaglutida no Brasil está dentro de três marcas da Novo Nordisk (Ozempic, Wegovy, Rybelsus) e de Extensior e Poviztra, desenvolvidos em parceria com a Eurofarma. O mercado total deve alcançar R$ 20 bilhões em 2026, ante R$ 11 bilhões neste ano, segundo análise do UBS BB.
O programa de descontos NovoDia intensifica a competição ao reduzir preços para várias apresentações. Por exemplo, a versão de 3 mg do Rybelsus fica a R$ 565 com 56% de desconto; Ozempic, Extensior e Poviztra aparecem por R$ 999 na dosagem de 1 mg; Wegovy chega a R$ 875 na dosagem inicial. Em alguns casos, o Wegovy de maior dosagem caiu para R$ 1.699, abaixo de patamares anteriores.
Mudança de cenário e impactos
A estratégia da Novo Nordisk visa manter marcas com faixas de preço distintas, preparando o terreno para a entrada de genéricos em 2026. O objetivo é ampliar a competição, ampliar a acessibilidade e reduzir o espaço para redes de preços abusivos. A redução de preços não foi reproduzida de forma idêntica em todo o mundo, incluindo a China e os EUA.
No Brasil, o SUS não oferece canetas emagrecedoras gratuitamente; a obesidade grave é tratada com cirurgia bariátrica pelo sistema público. Assim, o apelo de opções mais baratas fica restrito ao mercado privado e aumenta a demanda por alternativas de menor custo.
Controle de receitas e vigilância
A Anvisa ampliou o controle sobre prescrições, mantendo a exigência de receita para aquisição em farmácias com validade de até 90 dias. Plataformas de prescrição digital ganharam relevância na emissão de receitas eletrônicas, que podem ser enviadas por mensagem. Alertas sobre riscos de versões manipuladas foram reforçados por entidades médicas.
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