- O Federal Reserve (Fed) decidiu cortar a taxa de juros em dezembro após um debate intenso sobre os riscos atuais da economia dos EUA.
- As atas mostram dissenso: seis oficiais eram contrários ao corte e dois votaram de forma divergente, em uma normalidade rara para a instituição.
- A maioria apoiou o corte para ajudar a estabilizar o mercado de trabalho, diante da desaceleração na criação de empregos.
- Alguns participantes alertaram que o progresso rumo à meta de inflação de 2% estava atrasado e sugeriram manter a taxa inalterada por mais tempo após o corte.
- A próxima reunião está marcada para 27 e 28 de janeiro, com expectativa de manutenção da taxa, enquanto dados de desemprego e inflação de dezembro serão divulgados em janeiro.
A ata da última reunião do Federal Reserve mostra um claro desencontro entre membros sobre a trajetória das taxas de juros. A decisão de reduzir o juro em 0,25 ponto porcentual foi tomada apenas após um debate complexo sobre os riscos atuais da economia dos EUA, conforme documentos divulgados nesta terça-feira.
Mesmo entre os apoiadores do corte, houve reconhecimento de que a decisão foi “equilibrada” ou que haveria suporte para manter a faixa de política inalterada, diante de riscos divergentes para a economia norte-americana. As informações constam das atas do encontro de 9 a 10 de dezembro.
No conjunto de projeções econômicas apresentados após a reunião, seis participantes resistiram ao corte e dois deles votaram contra a decisão, mantendo dissidências entre membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). O restante apoiou o recuo na política monetária.
A maioria acabou apoiando o recorte, com relatos de que a medida seria uma estratégia de longo prazo para estabilizar o mercado de trabalho após uma desaceleração na criação de empregos. Por outro lado, alguns temiam que a inflação não estivesse evoluindo para a meta de 2%.
Segundo as atas, houve alerta de que o progresso rumo à meta de inflação pode ter estagnado, o que levou alguns a defender manter a faixa de juros inalterada por algum tempo após o recorte deste mês.
A ata registra que houve dissidência tanto em favor quanto contra políticas mais restritivas, o que caracteriza um desfecho incomum para o Fed e já ocorreu em duas reuniões consecutivas. Após o recorte, a faixa da taxa passou a ficar entre 3,5% e 3,75%.
Com a queda, o Fed sinalizou uma posição que tende a neutralizar o aperto, já que a taxa se aproxima de níveis que não estimulam nem desestimulam investimentos. Novas projeções indicam apenas um recorte adicional para o próximo ano.
A declaração de política monetária destacou que o Fed deverá manter-o em pausa até que novos dados indiquem queda da inflação ou um aumento maior do desemprego do esperado. A ausência de dados oficiais durante o shutdown de 43 dias influenciou as leituras.
Alguns membros que rejeitaram ou mostraram ceticismo com o recorte sugeriram que a chegada de dados adicionais sobre o mercado de trabalho e a inflação, nos próximos meses, ajudaria a decidir sobre novo afrouxamento.
A coleta de informações continua, com dados de emprego e inflação de dezembro programados para serem divulgados nos dias 9 e 13 de janeiro, voltando ao calendário regular de releases.
O próximo encontro do Fed está marcado para 27-28 de janeiro, quando investidores aguardam se a autoridade manterá a taxa base sem alterações. A ata reforça cautela diante de dados que ainda podem alterar o cenário.
Perspectivas e próximos passos
A ata mostra que a instituição avalia diferentes cenários conforme o fluxo de dados econômicos. A decisão de janeiro deve levar em conta a evolução do emprego e da inflação, bem como impactos externos que possam influenciar a trajetória da política monetária.
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