- Correios divulgam plano de reestruturação para enfrentar déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, com patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado até setembro de 2025.
- Captação de recursos de R$ 12 bilhões em capital de giro, com R$ 10 bilhões já desembolsados em 2025 e R$ 2 bilhões previstos para janeiro de 2026; bancos envolvidos: Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Santander e Itaú.
- Programa de demissão voluntária de 10 mil funcionários em 2026 e 5 mil em 2027, com economia anual estimada de R$ 2,1 bilhões (impacto total em 2028).
- Venda de ativos e parcerias com o mercado, incluindo venda e leaseback de imóveis, com geração de receita projetada de até R$ 1,5 bilhão para 2026 e mais R$ 1,7 bilhão em receita em 2027 por parcerias relevantes.
- Investimentos de R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030 com financiamento do Novo Banco de Desenvolvimento (Brics), visando automação, renovação de frota, TI e melhorias na malha logística, com expectativa de superar R$ 8 bilhões em receitas adicionais até 2029.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, apresentou um plano de reestruturação para a estatal deficitária. A proposta envolve captação de 12 bilhões de reais, demissões, fechamento de unidades e venda de imóveis. A medida busca estabilizar a operação e reduzir o fosso financeiro.
A avaliação interna aponta déficit estrutural acima de 4 bilhões por ano, patrimônio líquido negativo de 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de 6,057 bilhões até setembro de 2025. A gestão também aponta queda na qualidade e liquidez como entraves.
Rondon assumiu em setembro e afirmou que a correção deve ocorrer rapidamente. A captação anunciada ocorreu na última sexta-feira, com apoio de bancos para capital de giro, segundo a estatal.
A operação envolve um pool com bancos nacionais que aportaram 12 bilhões, distribuídos entre 2025 e 2026. BB, Caixa e Bradesco aportaram 3 bilhões cada; Santander e Itaú, 1,5 bilhão cada.
PDV E VENDA DE ATIVOS
Em março começa a segunda fase, com foco na redução de quadro de pessoal e benefícios. O plano prevê um programa de demissão voluntária de 10 mil funcionários em 2026 e 5 mil em 2027. A economia estimada é de 2,1 bilhões por ano, com impacto pleno em 2028.
Além disso, haverá revisão de cargos de média e alta remuneração, bem como ajustes em planos de saúde e previdência. A despesa com pessoal representa 62% do total, subindo para 70%–72% quando considerados precatórios.
Parcerias com o mercado também serão ampliadas. Ao todo, são 11 acordos em avaliação, com expectativa de gerar 1,7 bilhão em receitas em 2027.
A gestão de ativos migra para venda de imóveis ociosos, com possibilidade de sale and leaseback. Em cenário conservador, a receita de 1,5 bilhão pode surgir em 2026 com essa prática.
Estratégias de rede e operações
O plano prevê redesenho da malha logística e fechamento de unidades deficitárias ou com baixo desempenho. A medida visa reduzir custos sem comprometer o atendimento universal.
Rondon destacou que as mudanças não podem prejudicar a universalização dos serviços. O objetivo é manter o essencial, enquanto se busca eficiência e sustentabilidade financeira.
Médio e longo prazo
Uma consultoria externa será contratada para avaliar arranjos societários e parcerias mais amplas entre unidades de execução e de negócio, buscando modelos de parceria com o setor financeiro e de seguridade.
Investimentos de 4,4 bilhões entre 2027 e 2030 devem, segundo a gestão, modernizar centros de tratamento, renovar a frota, atualizar TI e redesenhar a logística. A expectativa é gerar receitas adicionais superiores a 8 bilhões até 2029 e retomar resultados positivos a partir de 2027.
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