- O Brasil registra um aumento alarmante na inadimplência, com 8 milhões de empresas e 78,2 milhões de consumidores endividados.
- A taxa Selic está em 15% ao ano, a mais alta em quase duas décadas, dificultando a situação financeira de muitos.
- Em julho, um terço das empresas estava inadimplente, acumulando em média sete dívidas cada. Quase metade da população adulta está negativada, com média de quatro dívidas por CPF.
- A inflação elevada e a redução da renda líquida impactam a capacidade de pagamento das famílias, especialmente as de baixa e média renda.
- Economistas preveem que a inadimplência continuará a crescer até o final do ano, com possíveis alívios apenas no primeiro trimestre de 2024.
O Brasil enfrenta um cenário alarmante de inadimplência, com 8 milhões de empresas e 78,2 milhões de consumidores em dívida. A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, é a mais alta em quase duas décadas e tem gerado dificuldades financeiras para muitos. Economistas preveem que a situação deve se agravar até o final do ano, apesar de possíveis alívios no último trimestre.
Os dados da Serasa Experian revelam que, em julho, um terço das empresas no país estava inadimplente, com cada uma delas acumulando, em média, sete dívidas não pagas. Entre os consumidores, quase metade da população adulta está negativada, com uma média de quatro dívidas por CPF. Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa, destaca que a alta dos juros básicos é um dos principais fatores para o aumento da inadimplência.
Fatores Contribuintes
A redução da renda líquida também tem impactado a capacidade de pagamento dos brasileiros. A inflação elevada e o aumento das apostas esportivas têm comprometido o orçamento das famílias, especialmente as de baixa e média renda. Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, aponta que a inflação tem retirado poder aquisitivo, dificultando ainda mais a quitação de dívidas.
Além disso, a inadimplência no crédito livre atingiu 5,2% do saldo a receber, o maior nível em oito anos. Em julho, a inadimplência do consumidor nessa modalidade foi de 6,5%, enquanto para as empresas, chegou a 3,3%. O cenário é ainda mais preocupante para as pequenas e microempresas, que representam 7,6 milhões das companhias inadimplentes.
Perspectivas Futuras
Os economistas projetam meses difíceis pela frente. Fabio Bentes, da Confederação Nacional do Comércio, acredita que o endividamento e a inadimplência continuarão a crescer até o final do ano. Embora a entrada de recursos extras, como o 13º salário, possa trazer algum alívio, a recuperação efetiva só deve ocorrer com a queda dos juros, prevista para o primeiro trimestre de 2024.
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