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Setores industriais se mobilizam para enfrentar concorrência da China

Indústria brasileira pressiona governo por medidas contra importações chinesas, que ameaçam a competitividade e o mercado interno

Silvia Nascimento (CEO da Aço Verde), Jorge Oliveira (CEO da ArcelorMittal), Cristina Yuan (diretora da Aço Brasil), Marco Polo (presidente-executivo da Aço Brasil), Gustavo Werneck (CEO da Gerdau) e Villares Metals (diretor-presidente da Villares) (Foto: Leo Martins/Divulgação)
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  • Representantes de 14 setores industriais do Brasil se uniram para combater o aumento das importações de produtos chineses.
  • A Coalizão Indústria solicita ações urgentes do governo federal para enfrentar essa situação, que já foi discutida em administrações anteriores.
  • O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, enfatizou a importância da colaboração entre os setores para encontrar soluções.
  • O setor siderúrgico enfrenta uma participação de 30% de aço chinês no mercado nacional, o que gera preocupações sobre a competitividade.
  • A Coalizão Indústria considera a implementação de medidas antidumping e salvaguardas, embora reconheça que esses processos são demorados.

Representantes de 14 setores industriais do Brasil anunciaram, nesta quarta-feira (26), uma articulação para enfrentar o aumento das importações de produtos chineses. A Coalizão Indústria, que já atuou durante o governo anterior, busca ações urgentes do governo federal para conter essa “invasão”.

O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, destacou a necessidade de união entre os setores, afirmando que “trabalhando em conjunto, a gente pode chegar a uma solução”. A ofensiva se concentra na urgência de um posicionamento claro do governo, já que os pleitos de diferentes setores frequentemente se sobrepõem, dificultando a resolução.

José Velloso, presidente da Abimaq, ressaltou que a pressão dos produtos importados afeta toda a cadeia industrial. Ele criticou as práticas desleais da China, que, segundo ele, utiliza subsídios para exportar excedentes. O foco, segundo Velloso, não é a importação em si, mas as condições em que os produtos entram no Brasil.

Aumento das Importações

O setor siderúrgico, que já enfrenta uma participação de 30% de aço chinês no mercado nacional, expressou preocupações sobre a competitividade. André Johannpeter, presidente do conselho da Gerdau, classificou a situação como um “surto de importação chinesa”, afirmando que isso resulta em competição desleal.

As siderúrgicas estão reavaliando seus ciclos de investimento devido à queda na utilização da capacidade instalada. A média anual de importação de aço, que variava entre 2,2 milhões de toneladas entre 2000 e 2019, pode chegar a 6,3 milhões de toneladas até 2025, segundo a Aço Brasil.

Medidas Urgentes

A Coalizão Indústria também discute a implementação de medidas antidumping e salvaguardas, embora reconheça que esses processos são longos. Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo da Aço Brasil, afirmou que a conversa entre os setores está mais convergente, mas não há soluções prontas.

No setor calçadista, as importações já superaram em 10 milhões o volume do ano anterior. Haroldo Ferreira, da Abicalçados, sugeriu que o governo poderia estabelecer cotas de importação para controlar o fluxo. A pressão sobre a indústria nacional é crescente, e as empresas clamam por ações efetivas para proteger o mercado interno.

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