- O Brasil deve colher 336,1 milhões de toneladas de grãos nesta safra, a maior da história.
- A capacidade de armazenamento é de apenas 212,6 milhões de toneladas, deixando 124,3 milhões expostas.
- A Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) informa que a produção de grãos cresce em média 5,3% ao ano, enquanto a capacidade de armazenamento avança apenas 3,4%.
- Em regiões como o Maranhão e Rondônia, a capacidade de armazenamento é crítica, com apenas 46,4% e 23,8% da produção armazenada, respectivamente.
- O Plano Safra 2024/25 destinou R$ 7,8 bilhões para a construção de armazéns, mas apenas uma parte está acessível aos produtores.
O Brasil está prestes a colher 336,1 milhões de toneladas de grãos, a maior safra da história, mas enfrenta um grave problema de armazenamento. A capacidade total dos armazéns é de apenas 212,6 milhões de toneladas, deixando 124,3 milhões expostas a intempéries. A situação é crítica, especialmente nas novas fronteiras agrícolas, como o Matopiba.
A Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) alerta que a produção de grãos cresce em média 5,3% ao ano, enquanto a capacidade de armazenamento avança apenas 3,4%. Em 2005, o Brasil colheu 114,7 milhões de toneladas e armazenou 106,5 milhões. Em 2023, apenas 63,3% dos grãos colhidos têm armazém garantido, e esse percentual cai para 16,8% se considerados apenas os silos nas propriedades.
A falta de armazéns pode comprometer a posição do Brasil como celeiro do mundo. A Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda que a capacidade de armazenamento deve ser 1,2 vezes maior que a produção anual. Para esta safra, o Brasil deveria ter armazéns para mais de 400 milhões de toneladas.
Desafios na Armazenagem
A sequência das safras agrava o problema. A colheita de milho ocorre logo após a soja, ocupando os espaços nos armazéns. Paulo Bertolini, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), destaca que o milho, com valor inferior, acaba sendo exposto. Isso gera um ciclo vicioso: a pressão de venda resulta em queda de preços e aumento dos custos de frete.
A situação é ainda mais crítica em regiões como o Maranhão, onde apenas 46,4% da produção conta com silos. Em Rondônia, a capacidade de armazenamento é de apenas 23,8% da produção. No Mato Grosso, maior produtor do país, a capacidade é de 52,3 milhões para uma produção de 104,8 milhões de toneladas.
Soluções e Investimentos
A CNA aponta que 72,7% dos produtores estão dispostos a investir em armazenagem se as taxas de juros forem mais atrativas. Atualmente, as taxas variam entre 7% e 8,5%, o que é considerado alto. Além disso, a falta de mão de obra qualificada e os altos custos operacionais dificultam a construção de novos silos.
O Plano Safra 2024/25 destinou R$ 7,8 bilhões para a construção e ampliação de armazéns, mas apenas uma parte desse valor está acessível aos produtores. Alexandre Nepomuceno, da Embrapa Soja, ressalta que o déficit de armazéns é crítico, especialmente com os avanços em biotecnologia que prometem aumentar a produtividade.
A solução temporária tem sido o uso de silos-bolsa, mas essa prática não garante o controle adequado de umidade e pragas. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que os financiamentos do BNDES para armazenagem alcançaram R$ 2,6 bilhões nesta safra, o maior valor desde 2013.
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