- As empresas brasileiras captaram R$ 328,4 bilhões no mercado de capitais no primeiro semestre de 2025, uma queda de 4,5% em relação ao mesmo período de 2024.
- Apesar da redução, esse valor é o segundo maior desde 2012, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
- As debêntures lideraram as captações, totalizando R$ 192,68 bilhões, embora tenha havido uma diminuição em relação aos R$ 206,74 bilhões do ano anterior.
- As debêntures incentivadas alcançaram um recorde semestral de R$ 74,5 bilhões, representando 39% do total captado.
- Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) tiveram quedas significativas, enquanto os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e as notas comerciais apresentaram crescimento.
As empresas brasileiras captaram R$ 328,4 bilhões no mercado de capitais no primeiro semestre de 2025, representando uma queda de 4,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar da redução, esse volume é o segundo maior desde 2012, conforme dados da Anbima. A predominância dos títulos de renda fixa, como debêntures, CRIs e CRAs, continua, com 92% do total captado.
O presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, Guilherme Maranhão, destacou que manter o ritmo de captações de 2024 é desafiador, pois o ano passado teve condições favoráveis que levaram muitas empresas a antecipar emissões para quitar dívidas. As debêntures, que lideraram as captações, totalizaram R$ 192,68 bilhões, uma diminuição em relação aos R$ 206,74 bilhões do ano passado. No entanto, as debêntures incentivadas, que são isentas de impostos, alcançaram um recorde semestral de R$ 74,5 bilhões, representando 39% das captações.
Desempenho dos Títulos
Os CRIs e CRAs enfrentaram quedas significativas, com captações de R$ 23,7 bilhões e R$ 14,23 bilhões, respectivamente, recuando 28,9% e 26,9% em relação ao primeiro semestre de 2024. Em contrapartida, os FIDCs captaram R$ 40,65 bilhões, um aumento de 8,9%, consolidando-se como o segundo instrumento mais relevante. As notas comerciais também se destacaram, com um crescimento de 127%, totalizando R$ 29,51 bilhões.
Maranhão observou que a captação de R$ 13 bilhões em notas comerciais distorceu um pouco os números, mas o custo mais baixo desses títulos em comparação com as debêntures tem atraído empresas. Os Fundos Imobiliários, por sua vez, captaram R$ 20,64 bilhões, uma queda de 24,6% em relação ao ano anterior. Os Fiagros, embora tenham registrado um aumento para R$ 2,10 bilhões, ainda estão abaixo dos R$ 4,72 bilhões do primeiro semestre de 2023.
Expectativas para o Futuro
Para o segundo semestre, Maranhão prevê uma possível corrida por captações, especialmente se o Congresso aprovar a Medida Provisória que estabelece uma tributação de 5% sobre ativos incentivados, que atualmente são isentos. O cenário atual sugere que as empresas continuarão buscando alternativas de financiamento, mas com cautela diante das condições econômicas.
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