- O Brasil registrou recordes em exportação de carne bovina no primeiro semestre de 2025, com 341.555 toneladas exportadas em junho, um aumento de 40,8% em relação a junho de 2024.
- A receita total das exportações de carne e subprodutos bovinos alcançou 7,446 bilhões de dólares, um crescimento de 28% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
- Os Estados Unidos, segundo maior comprador, aumentaram suas importações em 85,4%, totalizando 411.702 toneladas, mas enfrentam a iminente aplicação de uma tarifa de 50% a partir de agosto.
- A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) já reporta cancelamentos de pedidos por clientes norte-americanos, com perdas estimadas em 1,3 bilhão de dólares no segundo semestre de 2025.
- O Brasil pode explorar novos mercados, como o México, que se tornou um importante importador, devido à dificuldade dos EUA em encontrar fornecedores alternativos a preços competitivos.
O Brasil alcançou recordes históricos em exportação de carne bovina no primeiro semestre de 2025, apesar das incertezas geradas por tarifas protecionistas dos Estados Unidos. Em junho, foram exportadas 341.555 toneladas, um aumento de 40,8% em relação ao mesmo período de 2024. A receita também cresceu, passando de 970,7 milhões para 1,505 bilhão de dólares.
Os dados mostram que, no total, as vendas de carne e subprodutos bovinos movimentaram 1.690.229 toneladas nos primeiros seis meses, representando um crescimento de 17,3% em comparação ao ano anterior. A receita total do semestre alcançou 7,446 bilhões de dólares, um aumento de 28% em relação aos 5,820 bilhões de 2024.
Desafios com os EUA
Os Estados Unidos, que ocupam o segundo lugar entre os compradores, também mostraram crescimento nas importações, com um aumento de 85,4% no volume, totalizando 411.702 toneladas. Contudo, a situação se complica com a iminente tarifa de 50% que entrará em vigor em agosto. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) já reporta cancelamentos de pedidos por parte de clientes norte-americanos.
As estimativas indicam que as perdas podem chegar a 1,3 bilhão de dólares no segundo semestre de 2025, caso as tarifas sejam aplicadas. Para 2026, as perdas anuais podem ultrapassar 3 bilhões de dólares, inviabilizando a venda para o mercado norte-americano, com impostos que podem variar de 111% a 384% sobre as carnes exportadas.
Oportunidades em Outros Mercados
Apesar das dificuldades, analistas acreditam que o Brasil pode encontrar oportunidades em outros mercados. O México, por exemplo, se tornou um comprador relevante, ocupando a quarta posição entre os principais importadores de carne bovina brasileira. Outros países também demonstram interesse em absorver parte da produção que antes era destinada aos EUA.
Guilherme Jank, economista da Datagro, ressalta que a dependência dos EUA em relação à carne brasileira é significativa. O Brasil respondeu por 5,4% de toda a carne bovina consumida pelos americanos entre janeiro e maio, totalizando 710 mil toneladas. A dificuldade dos EUA em encontrar fornecedores alternativos com preços competitivos pode abrir espaço para o Brasil em novos mercados.
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