- O Vietnã firmou um acordo comercial com os Estados Unidos, estabelecendo uma tarifa fixa de 20% sobre produtos vietnamitas.
- O acordo foi feito para evitar tarifas mais altas, após uma ameaça inicial de 46% pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
- Empresários vietnamitas expressam preocupações com a nova tarifa e incertezas sobre cláusulas que podem penalizar insumos chineses.
- A Thanh Cong Garment, que fornece para marcas como Adidas e Calvin Klein, relatou uma queda de 15% a 20% nos pedidos de clientes americanos.
- O superávit comercial do Vietnã com os EUA atingiu US$ 123,5 bilhões em 2024, mas analistas alertam para possíveis efeitos inflacionários da tarifa.
O Vietnã firmou um acordo comercial com os Estados Unidos, estabelecendo uma tarifa fixa de 20% sobre produtos vietnamitas. O acordo, que visa evitar tarifas mais altas, foi anunciado em meio a incertezas sobre cláusulas que podem penalizar insumos chineses, impactando a indústria local.
O presidente dos EUA, Donald Trump, inicialmente ameaçou impor uma alíquota de 46%. A nova tarifa, embora inferior, ainda gera preocupações entre os empresários vietnamitas. A falta de detalhes sobre os termos finais do acordo alimenta incertezas, especialmente em relação a uma cláusula que pode aplicar uma taxa de 40% sobre produtos classificados como “transbordo”. Essa definição ainda não está clara, mas pode afetar produtos fabricados no Vietnã que utilizam insumos da China.
Empresas como a Thanh Cong Garment, que fornece para marcas como Adidas e Calvin Klein, já sentem os efeitos da situação. A companhia reportou uma queda de 15% a 20% nos pedidos de clientes americanos no terceiro trimestre. O presidente da empresa, Tran Nhu Tung, destacou que cerca de 70% dos insumos têxteis vêm da China, o que torna a indústria vulnerável a possíveis penalizações.
Impactos Econômicos
O Vietnã, que possui uma relação comercial robusta com os EUA, viu seu superávit comercial com o país atingir US$ 123,5 bilhões em 2024. Aproximadamente um terço das exportações vietnamitas é destinado ao mercado americano. Apesar do acordo, analistas alertam para o potencial efeito inflacionário da tarifa de 20%, que pode ser repassado ao consumidor americano, reduzindo a demanda por produtos vietnamitas.
O fluxo de investimento estrangeiro direto no Vietnã aumentou quase um terço, alcançando US$ 21,5 bilhões no primeiro semestre de 2024, impulsionado por incentivos fiscais e custos competitivos. Contudo, o sucesso do acordo dependerá de como as tarifas vietnamitas se comparam às de outros países da região, que têm até 1º de agosto para negociar condições semelhantes com Washington. A dúvida persiste: o Vietnã garantiu condições vantajosas ou cedeu demais em busca de previsibilidade?
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