- A China é o principal fornecedor de produtos ao Brasil, com 26% das importações, enquanto os Estados Unidos representam 16%.
- No primeiro semestre de 2023, as importações brasileiras de bens de consumo da China aumentaram quase 12%, com destaque para os automóveis, que cresceram 15,6%.
- O aumento das importações ocorre em meio aos efeitos da guerra comercial iniciada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
- As montadoras brasileiras estão preocupadas com a crescente participação de veículos importados, que subiram 15,6% em comparação ao ano anterior.
- A China também se tornou a maior fornecedora de refrigeradores e houve um aumento de 40% nas importações de bens de consumo não-duráveis, como produtos têxteis.
A China se consolidou como o principal fornecedor de produtos ao Brasil, representando 26% das importações brasileiras, superando os Estados Unidos, que têm 16%. No primeiro semestre de 2023, as importações de bens de consumo da China aumentaram quase 12%, com destaque para os automóveis, que cresceram 15,6% em relação ao ano anterior.
Esse crescimento ocorre em meio aos efeitos da guerra comercial promovida pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump. O Icomex, indicador de comércio exterior da FGV Ibre, revelou que em maio, as importações de produtos chineses aumentaram 110% em comparação ao mesmo mês de 2024. O porto de Itajaí, em Santa Catarina, recebeu 7.000 carros da montadora BYD, marcando um quarto desembarque da empresa no Brasil neste ano.
As montadoras locais estão preocupadas com o aumento da participação dos veículos importados no mercado brasileiro. No primeiro semestre, os emplacamentos de veículos nacionais subiram 2,6%, enquanto os importados cresceram 15,6%. Atualmente, os carros chineses representam 6% do mercado brasileiro, mesmo com o aumento das tarifas de importação para veículos elétricos e híbridos.
Mudanças no Comércio
A competitividade das montadoras chinesas é impulsionada pela saturação do mercado interno na China, levando as empresas a buscarem novos mercados, como o Brasil. Lia Valls, pesquisadora da FGV Ibre, afirma que o Brasil deve importar cada vez mais bens de consumo, refletindo uma mudança estrutural no comércio. Além dos automóveis, houve aumento nas importações de celulares e eletrodomésticos, como ar-condicionados e geladeiras.
A China se tornou a maior fornecedora de refrigeradores para o Brasil, superando países como Coreia do Sul, México e Tailândia. As importações de bens de consumo não-duráveis, como produtos têxteis, também cresceram 40% no primeiro semestre de 2023. Apesar do aumento nas quantidades, o valor das importações caiu em todas as categorias, indicando que os produtos chineses estão chegando ao Brasil a preços mais baixos, dificultando a concorrência com as indústrias locais.
Com a crescente dependência do Brasil em relação às importações chinesas, a participação dos EUA na balança comercial brasileira tem diminuído. Em 2001, os americanos eram responsáveis por 23% das importações, enquanto a China continua a expandir sua presença no mercado brasileiro.
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