- Um estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES) revela que 34% dos jovens apostadores no Brasil precisam parar de apostar para ingressar na faculdade.
- A pesquisa entrevistou 2.317 pessoas entre 18 e 35 anos e mostra que 52% dos jovens apostam regularmente.
- As apostas online cresceram 734,6% entre 2021 e 2024, resultando em uma perda de R$ 117 bilhões para o varejo em 2024.
- A maioria dos apostadores é composta por homens (85%) e a faixa etária predominante é entre 26 e 30 anos.
- O neurocientista Alvaro Machado Dias explica que o vício em apostas pode se tornar um comportamento compulsivo, exigindo uma análise cuidadosa das estratégias de regulação.
Um estudo recente da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (ABMES) revela que 34% dos jovens apostadores no Brasil afirmam que precisam parar de apostar para ingressar na faculdade. O levantamento, que entrevistou 2.317 pessoas entre 18 e 35 anos, destaca que 52% dos jovens apostam regularmente, refletindo um aumento preocupante no vício em apostas online.
O crescimento das apostas online no Brasil é alarmante, com um aumento de 734,6% entre 2021 e 2024. Esse fenômeno impacta diretamente a economia, com o varejo perdendo R$ 117 bilhões em 2024 devido ao redirecionamento de recursos das famílias para as apostas. A maioria dos apostadores é composta por homens (85%) e a faixa etária predominante é entre 26 e 30 anos.
Perfil dos Apostadores
Os dados mostram que 38% dos apostadores pertencem à classe B e 37% à classe C, indicando uma forte adesão entre os estratos de renda intermediária. Além disso, 79% dos entrevistados dependem do salário do trabalho como principal fonte de renda, revelando a relação direta entre o orçamento familiar e os hábitos de aposta. A pesquisa também aponta que 14% dos alunos em instituições particulares atrasaram mensalidades ou trancaram cursos devido a gastos com apostas.
A situação é mais crítica nas regiões Nordeste e Sudeste, onde os jovens associam o adiamento da graduação às apostas online. Em contrapartida, Sul e Centro-Oeste apresentam menores proporções. O diretor geral da ABMES, Paulo Chanan, enfatiza que as apostas online se tornaram um obstáculo adicional para o acesso à educação superior, ressaltando a necessidade de políticas públicas que conscientizem os jovens sobre as responsabilidades financeiras.
Mecanismos do Vício
O neurocientista Alvaro Machado Dias, da Universidade Federal de São Paulo, explica que o vício em apostas se deve a um mecanismo psicológico. A esperança, que inicialmente motiva o ato de apostar, pode se transformar em um comportamento compulsivo, levando o indivíduo a apostar cada vez mais para evitar a sensação de mal-estar quando não o faz. Essa dinâmica exige uma análise cuidadosa das estratégias de regulação das apostas, que devem ir além da simples proibição ou liberação.
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