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Mercadão de Madureira investe no digital e preserva tradições das ervas

Mercadão de Madureira moderniza-se com marketplace digital e práticas sustentáveis, preservando a tradição cultural e comunitária.

Dona Rosa, a erveira mais antiga do Mercadão de Madureira: desde 1968 (Foto: Júlia Aguiar)
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  • O Mercadão de Madureira, fundado em mil novecentos e quatorze, é um importante centro de comércio popular no Rio de Janeiro.
  • Recentemente, lançou um marketplace digital para integrar suas lojas online e facilitar o acesso dos clientes.
  • O mercado também investiu em práticas sustentáveis, como reciclagem e captação de água da chuva, reduzindo o consumo de água potável em até quarenta por cento.
  • Em dois mil e vinte e quatro, a prefeitura finalizou obras de requalificação no entorno, melhorando a drenagem e a iluminação.
  • O Mercadão, com cerca de seiscentas lojas e mais de vinte e cinco mil visitantes diários, é reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca e um espaço de resistência cultural.

O Mercadão de Madureira, fundado em 1914, é um ícone do comércio popular carioca, conhecido por sua diversidade cultural e pela venda de produtos frescos. Recentemente, o mercado lançou um marketplace digital para integrar suas lojas online, ampliando o acesso dos clientes e mantendo suas tradições.

A cozinheira aposentada Célia da Silva, de 63 anos, é uma frequentadora assídua do Mercadão. Com sua neta Clara no colo, ela busca ervas para aliviar sintomas de diabetes, refletindo a transmissão de saberes tradicionais entre gerações. “A gente aprende a cuidar com o que vem da terra”, afirma Célia, destacando a importância das ervas na vida cotidiana.

Além da digitalização, o Mercadão investe em práticas sustentáveis, como reciclagem de resíduos e captação de água da chuva, reduzindo o consumo de água potável em até 40%. Marcelo Durval, do comitê gestor de marketing, ressalta que essas iniciativas podem impactar positivamente os custos dos lojistas e, consequentemente, os preços ao consumidor.

Requalificação e Comunidade

Em 2024, a prefeitura do Rio finalizou obras de requalificação no entorno do Mercadão, incluindo drenagem e instalação de iluminação em LED. O espaço é um ponto de encontro de diversas expressões religiosas, onde católicos, evangélicos e umbandistas convivem em harmonia. “Aqui, o diálogo é de respeito e troca”, destaca Durval.

Dona Rosa de Fátima, a erveira mais antiga do mercado, continua a cultivar ervas em sua horta, mantendo viva a tradição familiar. “Cada erva tem uma missão”, diz ela, que vende ervas para chás e rituais espirituais. A feirante Suelene Félix, conhecida como Lena, também mantém a tradição familiar, vendendo produtos naturais e saberes ancestrais.

O Mercadão, com cerca de 600 lojas e mais de 25 mil visitantes diários, é um dos maiores centros populares do Brasil. Pedro Silva, atual síndico, enfatiza que o Mercadão é uma comunidade unida, onde lojistas se ajudam mutuamente. “Aqui é como uma vizinhança de antigamente”, afirma.

Patrimônio Cultural

Reconhecido como Patrimônio Cultural Carioca, o Mercadão é um reflexo da história do Rio de Janeiro. Rafael Mattoso, historiador, destaca que o mercado é um “museu popular” e uma síntese da cultura brasileira. Desde sua fundação, o Mercadão tem sido um espaço de resistência e troca de saberes, essencial para a identidade do subúrbio carioca.

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