Em Alta Copa do Mundo NotíciasFutebol_POLÍTICA_Brasileconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Mulheres enfrentam desafios ao vender ‘kush’ em meio à crise em Liberia

Mulheres em Liberia enfrentam pobreza extrema e violência policial enquanto recorrem ao tráfico de drogas para sustentar suas famílias.

Evelyn (nome fictício) na porta de sua casa, em Monróvia, em maio de 2025 (Foto: Graziana Solano)
0:00
Carregando...
0:00
  • Evelyn, mulher de 42 anos, vive em Monróvia, capital da Libéria, e é vendedora de kush, uma droga sintética.
  • Desde 2020, ela vende a substância para sustentar seus quatro filhos, enfrentando pobreza extrema e desigualdade de gênero.
  • A venda de kush se tornou uma alternativa em um país onde 45% da população vive em condições de pobreza multidimensional.
  • Evelyn relata que enfrenta violência policial e corrupção, com agentes exigindo dinheiro e drogas sob ameaça de prisão.
  • O uso de kush gera dependência em muitos jovens, e a falta de assistência médica agrava a situação, com ambulâncias não atendendo usuários de drogas.

Evelyn, uma mulher de 42 anos, vive em Monróvia, capital da Libéria, e enfrenta uma dura realidade como vendedora de kush, uma droga sintética que se espalhou rapidamente na região. Desde 2020, ela vende a substância, que é altamente viciante e acessível, para sustentar seus quatro filhos. A pobreza extrema e a desigualdade de gênero são fatores que levam muitas mulheres a se envolverem no tráfico de drogas, uma atividade que, segundo Evelyn, é uma das poucas opções disponíveis.

A venda de kush, que começou a ser comercializada em Sierra Leoa em 2017, se tornou uma alternativa para muitas pessoas em um país onde 45% da população vive em condições de pobreza multidimensional. Evelyn relata que, antes de entrar nesse comércio, vendia água nas ruas, mas não conseguia ganhar o suficiente para sobreviver. Agora, ela trabalha das 17h até as 3h, e mesmo assim, a luta diária para alimentar seus filhos e pagar a escola é constante.

Desafios e Violência

A vida de Evelyn é marcada por desafios, incluindo a violência policial. Desde que o presidente Joseph Boakai assumiu o cargo em 2023, as operações da Agência Antidrogas de Liberia (LDEA) se intensificaram. Ela conta que frequentemente é agredida e extorquida pelos agentes, que exigem dinheiro e drogas sob ameaça de prisão. A corrupção é um problema endêmico, afetando todos os níveis da sociedade liberiana, e as mulheres, em particular, enfrentam discriminação e violência.

A situação é ainda mais complicada pela falta de oportunidades de emprego qualificado para as mulheres. A média de escolaridade feminina é de apenas 3,4 anos, em comparação com 6,5 anos para os homens. Isso resulta em uma alta taxa de mulheres em trabalhos informais, como o tráfico de drogas, onde muitas vezes são subestimadas, mas desempenham papéis cruciais.

Impacto da Droga na Comunidade

O uso de kush tem consequências devastadoras. Evelyn observa que muitos de seus clientes, incluindo jovens e até menores de idade, se tornam dependentes e recorrem a atividades ilícitas para sustentar o vício. Ela já viu pessoas morrerem após fumar a droga e lamenta a falta de assistência médica adequada. As ambulâncias não atendem usuários de drogas, e os centros de reabilitação são inacessíveis devido aos altos custos.

A epidemia de kush se espalhou por vários países da África Ocidental, levando governos a declarar emergência sanitária. Em 2024, Liberia destinou 800 mil dólares para combater o problema, mas Evelyn expressa ceticismo sobre a eficácia dessas medidas. Para ela, a luta pela sobrevivência continua, enquanto a sociedade enfrenta as consequências de um legado de guerra e desigualdade.

Relacionados:

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais