- Peter Klopfer, zoólogo e ativista dos direitos civis, faleceu em 5 de junho aos 95 anos, em Duke University, onde ajudou a criar o Duke Lemur Center, o maior acervo de lêmures fora de Madagascar.
- Foi a parte acionada no caso Klopfer v. North Carolina, decisão da Suprema Corte que estendeu o direito a um julgamento rápido da Sexta Emenda às cortes estaduais.
- Em Carolina do Norte, junto à esposa, fundou a Carolina Friends School, buscando ensino integrado e enfrentando resistência de colegas e autoridades.
- Durante protestos, organizou deslocamentos seguros de estudantes presos e defendeu que a universidade não punisse líderes estudantis pela participação no movimento; chegou a ser preso em Watts Grill.
- O apoio financeiro para a defesa ajudou a viabilizar a vinda de lêmures a Duke, levando à criação do Duke Primate Center (mais tarde Duke Lemur Center), com foco em pesquisa comportamental e conservação.
Peter Klopfer, pesquisador e ativista dos direitos civis, morreu em 5 de junho aos 95 anos. O cientista, que atuou por quase sete décadas na Duke University, ajudou a ampliar a pesquisa em comportamento animal e a fundar o Duke Lemur Center, maior coleção de lêmures fora de Madagascar. A vida pública de Klopfer mesclou ciência, ensino e mobilização cívica.
O legado dele inclui a consolidação da ecologia comportamental, estudos sobre vínculo mãe-filho e a construção de instituições voltadas a pesquisa não invasiva. A criaçao do Duke Lemur Center, criado em 1966, reuniu animais transferidos de Connecticut para a Carolina do Norte e tornou-se referência em conservação e conhecimento veterinário ligado a Madagascar.
Antes da ciência, Klopfer já enfrentava perseguições políticas. Pacifista quaker, recusou o serviço militar na Coreia e chegou a cumprir parte de uma pena. Durante os anos de McCarthy, foi investigado por oposição ao ROTC compulsório e por participação em organizações estudantis.
Caso Klopfer v. Carolina do Norte
Em North Carolina, o pesquisador se tornou parte de um caso que chegou à Suprema Corte. Em 1967, o Supremo julgou por unanimidade que o direito a julgamento rápido, garantido pela Sexta Emenda, também se aplica aos estados. A decisão limitou punições prolongadas sem veredito.
O processo teve contribuição direta para a independência de procedimentos jurídicos contra acusados pendentes. Além disso, o caso facilitou a continuidade de ações civis durante a disputa pela integração em instituições públicas. Procuradores não poderiam manter acusações suspensas como forma de punição prolongada.
Klopfer também esteve ligado à inovação institucional de Duke. Com recursos para defesa, colegas levantaram fundos que ajudaram a manter o foco da atuação dele. A parceria com o geneticista Yale John Buettner-Janusch levou à entrada dos lêmures em Duke, expandindo a pesquisa comportamental com primatas de Madagascar.
O Centro de Primatas de Duke, que deu origem ao Duke Lemur Center, abrigou milhares de animais e inspirou estudos sobre hibernação, comportamento e bem-estar animal. A iniciativa combina pesquisa, ensino e conservação com impacto internacional.
Ao longo da vida, Klopfer manteve a atuação pública, retornando a protestos aos 82 anos em 2013, durante as ações Moral Monday na Carolina do Norte. Sua trajetória mostrou a continuidade entre pesquisa científica e cidadania ativa.
Nos registros, Klopfer descreveu, em entrevista de 2003, a percepção de que instituições podem cumprir promessas quando pressionadas. A história dele envolve ciência, justiça social e a chegada dos lêmures a Duke como resultado indireto de sua luta legal.
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