- Estudo publicado no dia 2 de junho, na revista Palaeontology, confirma que Praearcturus gigas era um escorpião gigante com mais de um metro de comprimento, vivendo entre 415 e 412 milhões de anos atrás nas várzeas da Inglaterra e do País de Gales.
- Os fragmentos fósseis haviam sido encontrados no século XIX e ficaram armazenados no Museu de História Natural de Londres sem uma atribuição definitiva até agora.
- Pesquisadores usaram fotografia em alta definição, tomografia computadorizada e modelos 3D para comprovar que os fragmentos pertencem a um escorpião gigante e compararam com descrições de fósseis similares.
- A descoberta mostra que esse escorpião gigante viveu durante o Devoniano Inferior, possivelmente entre os primeiros grandes predadores terrestres da história, antes da evolução das árvores.
- Os autores apontam que Praearcturus gigas, com estruturas como epímeros similares aos de lagostas, indica que as fronteiras entre artrópodes terrestres e aquáticos eram menos definidas na época, e sugere uma evolução complexa entre tipos de habitat.
O maior escorpião conhecido hoje é o Gigantometrus swammerdami, com cerca de 23 cm, encontrado nas florestas da Índia. Novos fósseis, no entanto, colocam em evidência animais ainda maiores há centenas de milhões de anos, no Devoniano Inferior.
Pesquisadores da Universidade de Manchester revisaram fósseis de 1870 guardados no Museu de História Natural de Londres. A análise, publicada em 2 de junho no periódico Palaeontology, confirma que o Praearcturus gigas era um escorpião gigante.
A cada peça conservada, técnicas modernas de fotografia, tomografia computorizada e modelos 3D contribuíram para identificar traços característicos dos escorpiões. O estudo também comparou vestígios com descrições mais recentes de outras espécies.
Análise confirma escorpião gigante
Segundo os autores, o Praearcturus gigas teria ultrapassado 1 metro de comprimento, aproximando-se do tamanho de cães de porte grande. O animal habría vivido entre 415 e 412 milhões de anos atrás em áreas que hoje correspondem à Inglaterra e ao País de Gales.
Os fósseis, encontrados na Grã-Bretanha, preservam apenas partes do corpo, dificultando a classificação há décadas. A nova avaliação, porém, aponta ferrão e estruturas corporais compatíveis com escorpiões, distinguindo-os de crustáceos e outros artrópodes.
O estudo destaca que esse período ainda tem ecossistemas terrestres pouco desenvolvidos. A ausência de grandes predadores terrestres pode ter favorecido o gigantismo inicial nesses artrópodes.
Implicações evolutivas
A equipe compara Praearcturus com outros gigantes do passado, como Arthropleura e Meganisoptera, que apareceram em fases posteriores. A pesquisa sugere que escorpiões já exibiam adaptações para ambientes terrestres precocemente, mesmo antes da formação de florestas extensas.
Os pesquisadores enfatizam que a identidade desses fósseis ajuda a entender quando e como os artrópodes aumentaram de tamanho. A possível permanência de Praearcturus em ambientes aquáticos durante parte da vida indica transições entre água e terra ainda em estágios iniciais da vida terrestre.
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