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China planta arroz no espaço sideral a 400 km da Terra

China planta arroz na Estação Tiangong para estudar geração dupla no espaço e impactos da microgravidade na estabilidade genética do grão

Estação espacial Tiangong, a 400 quilômetros da superfície da Terra
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  • Na madrugada de segunda-feira, a nave Shenzhou-23 atracou na estação Tiangong, a 400 quilômetros da Terra, com três astronautas e 54 quilos de experimentos, incluindo sementes de arroz virgens.
  • Pela primeira vez, o objetivo é cultivar duas gerações consecutivas de arroz em órbita para entender como a microgravidade de longo prazo afeta a estabilidade genética da planta.
  • O estudo busca compreender o processo produtivo do arroz em missões de longa duração no espaço, envolvendo o ciclo completo de geração e descendentes em ambiente orbital.
  • A China é o maior produtor e consumidor mundial de arroz, respondendo por cerca de 57% do consumo e 59% da produção global, com aproximadamente 210 milhões de toneladas consumidas.
  • A pesquisa já tem histórico, iniciada em 1987; em 2022, a missão Shenzhou-14 mostrou o ciclo completo de uma geração no espaço, e a Shenzhou-23 amplia para duas gerações.

Na madrugada desta segunda-feira, uma missão chinesa atracou na estação Tiangong a 400 km da Terra. A Shenzhou-23 traz três astronautas e 54 kg de experimentos, entre eles sementes de arroz que nunca haviam viajado no espaço. O objetivo é cultivar duas gerações de arroz em órbita, para entender efeitos da microgravidade prolongada nos genes.

O estudo, batizado de Estudo dos mecanismos moleculares da estabilidade genética multi-geração do arroz e da regulação de sua adaptabilidade ambiental no espaço, busca elucidar como a gravidade zero influencia a produção e a estabilidade genética da planta. A pesquisadora Zheng Huiqiong explicou, à Xinhua, que o experimento é pioneiro em acompanhar duas gerações em ambiente orbital.

Cang Huaixing, do Centro de Tecnologia e Engenharia para Utilização Espacial, reforçou que o projeto pretende esclarecer se a genética do arroz permanece estável ao longo de gerações criadas fora da Terra. O arroz é estratégico para a China, que é o maior produtor e consumidor global, respondendo por parte relevante do consumo mundial.

Contexto da produção de arroz na China

A China consome e produz grandes volumes de arroz, com aproximadamente 210 milhões de toneladas consumidas anualmente. Junto com a Índia, os chineses respondem por mais da metade do consumo mundial. Dados do USDA indicam estoque global limitado sem considerar a reserva chinesa.

A cultura do arroz no país tem raízes milenares. Registros arqueológicos indicam cultivo desde cerca de 9 mil anos, especialmente no entorno do Yangtzé, onde comunidades antigas já manejavam solos alagados. A produção atual ultrapassa 700 milhões de toneladas de grãos anuais.

A pesquisa espacial já havia avançado em 2022, quando a missão Shenzhou-14 completou um ciclo de vida do arroz no espaço: germinação, crescimento, floração e produção de sementes em 120 dias. Entretanto, o experimento anterior envolveu uma única geração, sem observar descendentes.

Perspectivas e aplicações

O objetivo final é entender como a microgravidade afeta a produtividade do arroz em missões de longa duração no espaço profundo. Caso se confirme a estabilidade genética, as descobertas podem informar estratégias para alimentação de equipes em viagens interplanetárias.

Além disso, pesquisas relacionadas já exploram sementes irradiadas para o desenvolvimento do arroz tolerante a salinidade, com aplicações em solos que enfrentam desafios de salinização. Resultados potenciais podem abrir caminho para novas variedades adaptadas a ambientes desafiadores.

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