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Mundo sem machos: como funcionam espécies exclusivamente femininas reino animal

Estudo mostra como a molinésia-amazona sustenta populações 100% femininas por partenogênese, usando conversão gênica para reduzir mutações

Quatro imagens lado a lado: um lagarto listrado em marrom e creme, um peixe pequeno prateado na mão, uma salamandra marrom em musgo verde, e uma cobra escura enrolada
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  • A molinésia-amazona, Poecilia formosa, tem populações 100% de fêmeas em boa parte de sua área; reproduz-se por partenogênese e foi o primeiro vertebrado conhecido a originar populações clonais em 1932.
  • A reprodução assexuada reduz a diversidade genética, tornando as espécies mais vulneráveis a extinções, mas há mecanismos que ajudam a evitar problemas genéticos, como a conversão gênica que funciona de modo similar à recombinação.
  • A espécie pode usar ginogênese (tipo de partenogênese em que o esperma estimula o desenvolvimento, mas não fica na prole) e, ainda assim, as fêmeas acasalam com machos de espécies relacionadas para influenciar a escolha de parceiro.
  • Outros vertebrados com populações exclusivamente femininas incluem lagartos-chicote, salamandras e a cobra-cega brahmina, cada um com estratégias distintas de reprodução e manutenção genética.
  • Em alguns casos, como cobras e lagartos, há aumento do número de cromossomos em alguns indivíduos, o que pode favorecer a diversidade genética e a sobrevivência de clones ao longo do tempo.

A molinésia-amazona é um peixe que vive em rios, lagos e pântanos do México, do Texas e áreas vizinhas. Em muitas regiões, as populações são compostas apenas por fêmeas, que se reproduzem sem fertilização. Em 1932, esse peixe tornou-se o primeiro vertebrado conhecido a nascer por clonagem.

Pesquisas genéticas recentes ofereceram pistas sobre como esses indivíduos mantêm a sobrevivência. A reprodução ocorre sem mistura de material genético entre indivíduos, o que reduz a diversidade genética. Ainda assim, estudos apontam mecanismos que limitam problemas de acúmulo de mutações.

A alternativa de reprodução assexuada facilita o rápido aumento de populações quando o ambiente é favorável. Contudo, a falta de diversidade torna as espécies mais vulneráveis a mudanças ambientais e doenças. Por isso, pesquisadores estudam como essas populações persistem por longos períodos.

Mecanismos por trás da reprodução

A clonagem em molinésias é compensada por um processo chamado conversão gênica, que atua de modo similar à recombinação. Esse mecanismo ajuda a eliminar mutações nocivas e a manter variação suficiente para adaptação local.

A espécie apresenta variações morfológicas entre populações, indicando evolução em resposta a condições locais. O sistema reprodutivo é partenogênese, também conhecido como nascimento virginal, no qual filhotes derivam de óvulos não fertilizados.

Casos em vertebrados com reprodução exclusiva de fêmeas

Além da molinésia-amazona, há casos em lagartos e salamandras que reproduzem sem a participação de machos em parte de seus ciclos. Em alguns lagartos, a festa de acasalamento ainda estimula a ovulação, mesmo que o esperma não seja transmitido à prole.

Cobras cegas, como a brahmina, também apresentam reprodução sem parceiro, com cromossomos em número diferente do usual. Em certos anfíbios e peixes, esse recurso evolutivo aparece de forma semelhante, permitindo colonização rápida de novos ambientes.

Implicações e perspectivas

Especialistas destacam que formas exclusivas de partenogênese existem há milhões de anos em alguns vertebrados, mas são menos comuns que a reprodução sexual. A pesquisa atual busca entender como esses sistemas mantêm estabilidade genética a longo prazo.

Estudos continuam para mapear situações em que a reprodução sem machos surge, bem como as vantagens ecológicas associadas. A investigação envolve genética, ecologia e evolução para esclarecer por que algumas espécies conseguem sobreviver por extremos períodos.

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