- Pesquisadores espanholos usam inteligência artificial para decifrar chamadas de corujas-carrancas (corvos-carneiros) e entender sua comunicação complexa em famílias que criam juntas.
- Em operação no norte da Espanha, eles registram sons com microfones e loggers, gerando grandes volumes de dados que exigem análise avançada.
- Desde 2024, a equipe colabora com a Earth Species Project (ESP), que desenvolveu modelos de IA para categorizar chamadas e criar um conjunto de dados de tipos de vocalizações.
- Até agora, o estudo identificou mais de cem mil vocalizações, distinguiu chamadas de adultos e filhotes e sincronizou dados de diferentes dispositivos de registro.
- Os resultados indicam que a maioria das vocalizações é de tom baixo e suave, sugerindo comunicação em curta distância; a parceria também avança para orcas em projetos com drones e acústica, com foco em entender comportamentos e impactos do ruído marinho.
A pesquisa sobre a comunicação animal avança com a ajuda da inteligência artificial. Dois pesquisadores, Vittorio Baglione e Daniela Canestrari, estudam os corvos-do-carrion para entender como eles coordenam-se. A espécie é notável pela reprodução cooperativa, em que famílias inteiras participam da criação dos filhotes e da proteção do ninho.
Os cientistas registram chamadas com gravadores de áudio e biologgers no norte da Espanha. Com o acúmulo de dados, surgiu o desafio: cada microfone rendia apenas seis a sete dias de gravação, gerando um volume de informações grande demais para análise manual.
Desde 2024, a parceria com a Earth Species Project (ESP) tem ajudado a desenvolver modelos de IA para classificar os chamados e montar um dataset de tipos de vocalizações. A iniciativa envolve ferramentas adaptadas a cada espécie estudada.
Avanços com os corvos
A aplicação da IA permitiu identificar mais de 127 mil vocalizações de corvos, além de diferenciar chamadas de adultos e filhotes. Quando vários indivíduos emitem sons, o sistema sincroniza dados de diferentes loggers para entender o contexto de cada canto.
Os resultados indicam que muitos chamados são de baixa amplitude, sugerindo comunicação predominantemente em curto alcance. A equipe continua a construir um mapa semântico que integre áudio, vídeo e dados de acelerometria para ligar comportamentos a chamadas.
Expansão para outras espécies
A tecnologia não se limita a aves terrestres. No Canadá, a Raincoast Conservation Foundation usa o modelo da ESP para estudar orcas, que vivem em grupos unidos e se comunicam para caçar e mover-se juntos.
Um projeto piloto utiliza dados de drones e gravadores acústicos para relacionar vocalizações ao comportamento e ao ambiente. A IA acelera a identificação de chamadas em grandes volumes de áudio oceânico, poupando meses de trabalho.
Objetivos e cautela
O objetivo é ir além de identificar dialetos e tipos de chamadas, buscando entender seus significados. Especialistas ressaltam, porém, que é preciso cautela ao discutir comunicação entre humanos e outras espécies.
A pesquisadora Valeria Vergara destaca a importância de compreender as baleias em seus próprios termos, sem impor interpretações humanas. O uso de IA facilita a integração de notas de campo com áudio e clipes de drones para análises rápidas.
Impacto e perspectivas
As palavras dos cientistas indicam que a IA pode oferecer visões sobre a vida interior de outras espécies e seus comportamentos. A continuação dos trabalhos visa ampliar o conjunto de dados e aperfeiçoar as ferramentas de análise para múltiplas espécies.
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