- O Chelsea Flower Show recebe o designer premiado Matt Keightley, que usa inteligência artificial para criar seu jardim e lança o aplicativo Spacelift, capaz de desenhar espaços do zero.
- O evento, no Royal Hospital Gardens, em Chelsea, Londres, ocorrerá na próxima semana com três jardins inteiramente criados pela plataforma.
- Jornalistas horticulturistas e designers expressam preocupação de que a IA possa automatizar parte do trabalho criativo na design de jardins.
- O designer Tom Massey, que já usou IA para monitorar dados de plantas, diz que a IA não substitui a intervenção humana na concepção e na interação com o espaço natural.
- A Spacelift afirma que a plataforma não ameaça designers, mas amplia o mercado, ajudando proprietários com orçamentos reduzidos a ter briefings mais claros e realistas.
O Chelsea Flower Show recebe este ano um debate inédito sobre o uso de inteligência artificial na criação de jardins. O designer premiado Matt Keightley revelou que usará um aplicativo chamado Spacelift para planejar e gerar parte dos jardins que serão exibidos no Royal Hospital Chelsea, em Londres, na próxima semana, no contexto da mostra de horticultura.
Keightley afirma que a ferramenta oferece um ponto de partida para o projeto, ajudando clientes a visualizar planos e ter confiança para transformar ideias em espaços reais. O recurso promete automatizar etapas do design, desde a concepção até a organização de espaços ao ar livre.
Entretanto, o uso de IA provoca resistência entre horticultores e designers. Representantes da área afirmam que a criatividade humana, a empatia e a experiência prática não podem ser substituídas por algoritmos na criação de espaços vivos e evolutivos.
Oposição a IA é expressa por colegas do setor. Um presidente de uma sociedade profissional ressalta que o design de jardins envolve saberes artesanais, interação com o ambiente e responsabilidade com o ecossistema, aspectos que, segundo ele, não são replicáveis por máquinas.
Outra designer, já destacada no circuito, critica a ideia de que Chelsea possa apoiar jardins inteiramente criados por IA, sugerindo que isso desvirtua o papel do evento como referência global de design de jardins. A discussão envolve impactos sobre o mercado de trabalho no setor.
O trio de jardins em exibição integra o uso de IA de diferentes formas: um projeto com técnicas rurais e materiais reaproveitados, uma varanda urbana compacta e um espaço de bem-estar com temática de floresta, incluindo sauna e chuveiro frio. Todos foram desenhados majoritariamente pela plataforma.
A Spacelift garante que a tecnologia não substitui designers, mas amplia o alcance de clientes que hoje não costumam contratar serviços profissionais. A empresa alega que usuários informados tendem a ter briefings mais claros, beneficiando o mercado como um todo.
Quem participa do debate também destaca o papel da IA como ferramenta de inspiração e visualização, não como substituto. O objetivo é equilibrar inovação com a expertise humana, assegurando jardins funcionais, sustentáveis e com conexão com o ambiente.
O Chelsea Flower Show, tradicionalmente um palco de vanguarda, passa a ser o campo de uma discussão sobre ética, qualidade e mercado no uso de IA na paisagística. O desfecho dependerá de futuras experiências e avaliações do público e da imprensa.
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